Coluna Jura Arruda

Que cabelo é esse, hein!

Quando recebi a mensagem do Jailson Miranda via WhatsApp com uma pergunta sobre publicação de livro, não imaginei que leria algo que fosse mexer tanto comigo. Ele me apresentou um texto de sua esposa Mônica Silva, em que ela transformava uma ordem para prender os cabelos em um processo levado ao tribunal.

Soltar os cabelos era tanto uma defesa judicial como um grito de alerta. Quis conhecê-los pessoalmente e marcamos um encontro no Espaço Ébano, onde os dois trabalham com um propósito que vai além da estética, de cuidar dos cabelos naturais sem agressão, sem ceder a padrões de beleza que oprimem e maltratam.

Decidimos fazer uma parceria e dar à história lapidação literária e ativismo. Um ativismo que está na pele, mas também nos fios diversos de todas as cores. Um ano depois, estamos lançando o livro “Kizzy, que cabelo é esse, hein!” e vendo nascer um projeto maior com ações culturais e sociais sob a aura da diversidade. 

Nesta quinta-feira (30), nós estaremos juntos no Shopping Mueller de Joinville a partir das 10 horas da manhã até a noite para mostrar nosso trabalho belissimamente ilustrado pela artista Lara Oliveira, que virá de São Paulo para participar deste momento tão especial. 

O livro estará à venda a R$ 15. A participação no evento é gratuita. A publicação é da Editora Areia, com produção viabilizada por recursos da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura.

Saiba mais sobre o livro e os autores: @monica.advogadadocabelo e @juraarruda_escritor.

Um tal de Juarez Machado

Exposição celebra a irreverência de um artista multifacetado

Lembro de assistir às vinhetas animadas do Juarez Machado no Fantástico, geralmente maquiado, em atuações cômicas. Eu aguardava este momento enquanto sofria com o fim do domingo. Juarez era um traço de alegria e leveza para o garoto que ainda sequer vislumbrava uma atuação na área das artes, mas que já se deleitava com as possibilidades do artista.

Nesta sexta-feira (31), o Teatro Juarez Machado vai ganhar a exposição “O mundo de Juarez”, com entrada gratuita, que celebra a história e a relevância do artista. dos maiores artistas brasileiros contemporâneos.

A mostra no Foyer do Teatro Juarez Machado faz parte do Projeto Cultural “Juarez de Portas Abertas”, aprovado no Edital 02/2024, nos termos da Política Nacional de Cultura Viva (PNCV) – PNAB Municipal, e é uma realização do Instituto Internacional Juarez Machado.

“Mais do que uma exposição, O Mundo de Juarez é uma experiência que convida o visitante a conhecer diferentes fases e facetas do artista por meio de uma linha do tempo com suas principais realizações e de instalações inspiradas em suas criações”, afirma Eula Maciel, presidente executiva do Instituto. Entre os destaques, está uma instalação que revive o célebre quadro do programa “Fantástico”, com cenografia que remete ao ambiente televisivo e à presença marcante de Juarez Machado na cultura popular brasileira. A série de obras “Non Sense” também ganha espaço com reproduções que evidenciam o olhar provocador e bem-humorado do artista sobre o cotidiano.

A exposição “O Mundo de Juarez” acontece de 31 de outubro a 30 de novembro de 2025 – monitoria da exposição de terça a sábado das 10 às 12 horas e das 13 às 19 horas, no Foyer do Teatro Juarez Machado – Centreventos Cau Hansen, Joinville.

A entrada é gratuita.

Foto: Juarez Machado/Divulgação.

Uma nota só

Hoje de manhã, eu encontrei um passarinho morto. Não, ele não estava morto, agonizava no chão de minha cozinha. Pouco antes, eu ouvia um piar insistente e monótono, não atentei, ainda que o som parecesse vir de tão perto, ainda que parecesse haver um pássaro dentro de casa.

Saí por alguns minutos para um passeio habitual com os cachorros. Quando voltei, encontrei-o com movimentos de abrir e fechar o bico, mas sem o som de antes, deixei cair umas gotas de água para que ele bebesse. A água já não podia salvá-lo. Sobre a palma da minha mão, ele fechou suavemente os olhos. 

Há outros pássaros cantando lá fora, mas ainda ouço o piar monótono, prenúncio de sua morte. Partir é canção de uma nota só.

Jura Arruda

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