Coluna Jura Arruda

Canhotos, Fidel e o dia 13 de agosto

Em 13 de agosto de 1926, em Birán, Cuba, nasceu Fidel Castro. Um canhoto. 

Isso me dá bons motivos para falar sobre política e socialismo, discutir o momento atual e quase insano do mundo, falar sobre taxações e prisões, sobre as ditaduras de Esquerda e Direita e do quanto o brasileiro vota com o fígado.

É tanta simbologia em um único fato, perceba: Fidel, canhotos, 13. Mas vou seguir por outro caminho: ao dizer que Fidel é canhoto quero apenas indicar um aspecto físico, o de usar mais os membros esquerdos; ao citar sua data de nascimento é para chamar atenção para uma coincidência, tola talvez, de ele nascer no dia 13 de agosto, o Dia Internacional do Canhoto.

Minha mãe é canhota. Faz parte dos 10% da população, segundo um estudo feito nos Estados Unidos. Ela sofreu muito na mão de destros em uma época hostil e marcada pela ignorância. Tinha sua mão esquerda amarrada na hora das refeições para “aprender” a comer com a mão direita. Tal como alunos em nossas escolas do século 20, que também tinham a mão esquerda amarrada. 

Em alguns idiomas, a palavra “canhoto” também é sinônimo de “desajeitado”, “fraco”, “mau”. A sinistrofobia tem um aspecto cultural. Segundo a revista Superinteressante, “A Bíblia cita o lado direito de forma positiva mais de 100 vezes – todo mundo sabe que Jesus Cristo senta-se à direita de Deus. O lado esquerdo, por outro lado, é citado pelo livro sagrado de forma pejorativa dezenas de vezes. Por essas e outras, durante a Inquisição muitos canhotos acabaram queimados na fogueira, acusados de bruxaria”.

Vivemos dias de mais informação, de avanços científicos e sociais, de busca por direitos (!), e já não amarramos nossos canhotos, ainda que este seja o desejo de muitos destros. 

A última ceia – obra do canhoto Leonardo Da Vinci.

Rezo

O trio, formado por Bárbara Kristensen, Marcela Backer e Natália Pereira, chega a Joinville e Balneário Camboriú para encerrar a circulação do show Rezo por Santa Catarina. O álbum traz canções autorais de reverência às culturas populares, aos territórios culturais invisibilizados e à força criadora das mulheres na música popular.

A apresentação de hoje, 13 de agosto, será às 19h30 na Casa da Cultura de Joinville e contará com uma convidada muito especial: Ana Paula da Silva, cantora, compositora, instrumentista, produtora musical e pesquisadora de culturas populares. Com mais de 25 anos de carreira, tem reconhecimento nacional e internacional, colecionando prêmios como o Prêmio Grão de Música (SP) e o Troféu Pixinguinha da Funarte. Natural de Joinville, tem forte atuação na cena cultural catarinense e é também diretora musical do álbum Rezo.

Em Balneário Camboriú, a apresentação será no dia 16, às 20 horas, no Teatro Municipal Bruno Nitz. Lá, as convidadas são Caroline Levien e Rafaela Backer

A entrada é gratuita para ambos os shows e terá interpretação em LIBRAS.

A Proposta Cultural foi realizada com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, pela Fundação Catarinense de Cultura [FCC], por meio do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2024.

Cartaz do espetáculo – Créditos Gabriel Bazt e Clarrisa Herrig

Convívio

As relações se perpetuam com lembranças, mas também se constroem com esquecimentos. 

Jura Arruda

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