Está na hora. O Brasil precisa se civilizar e dar um mínimo de dignidade aos trabalhadores e suas famílias. Aprovar o fim da escala 6×1 é inadiável. A proposta de conceder um ano de prazo para o projeto entrar em vigor na sua integralidade é razoável. Tempo para as adaptações serem feitas pelas empresas.
A última mudança na legislação trabalhista referente a carga horária foi feita há 38 anos: reduziu de absurdas 48 horas semanais de trabalho para as ainda ruinosas 44 horas semanais atualmente em vigor.
Em Santa Catarina, 1 milhão e 250 mil trabalhadores estão submetidos a escala 6 por 1. Praticamente metade da força de trabalho. No Brasil, um terço dos trabalhadores cumprem essa jornada de 44 horas semanais e têm apenas um dia de folga por semana.
Os salários são muito baixos – média de R$ 3.400,00 por mês.
Dizem os empresários que o trabalhador é improdutivo. Que os custos vão subir porque terão de contratar mais pessoas.
Só os ineficientes devem se preocupar.
Há 473 mil trabalhadores na indústria; 365 mil nos serviços; 332 mil no comércio; 51 mil na construção civil e 25 mil na agropecuária catarinenses.
A questão da melhoria de produtividade passa por alguns fatores: 1. melhor nível de educação dos jovens; então, é questão estrutural de um país que desdenhou da cultura e do saber para a massa trabalhadora; 2. Salários mais dignos e condições de trabalho mais satisfatórias atraem.
As empresas não estão encontrando trabalhadores – há pleno emprego porque migrantes de diferentes regiões miseráveis aceitam ganhar salário só para comer.
Na sequência surge outro desafio. Por alguns reais a mais, trabalhadores pedem demissão e trocam de emprego. Aí a rotatividade aumenta: já é de 56 por cento!
Sim
Mudou o paradigma: menos pressão e mais flexibilidade. Não por acaso, há tantos motoristas de Uber rodando pelas cidades.
Simplesmente, as pessoas não estão mais dispostas a trabalhar da forma antiga. Enquanto os empresários continuarem a gerenciar os seus trabalhadores como “mão de obra” ou como “capital humano”, o fosso entre exigências de uns e vontades dos outros permanecerá crescendo.
O País já viveu momentos de transformação social e de legislação relevantes. E os líderes do capital também diziam que a economia seria destruída. Como fazem hoje, com muito mais lobby no Congresso.
O fim da escravidão, a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas e a introdução do 13 salário causaram muita discussão. E só. A vida seguiu.
Então, sim, o fim da escala 6×1 é necessária e urgente.
Não é por acaso que a população está exausta. E doente.
Jornadas excessivas, assédio moral, fiscalização precária causaram só em 2025, o afastamento de 546.254 trabalhadores por doenças mentais. Sim. A Previdência Social concedeu mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária a trabalhadores com estresse, bournout, etc. Este número é 15,6 por cento superior ao verificado no ano anterior.
O fim da escala 6 por 1 vai ajudar a evitar que o Brasil (e os brasileiros) sejam, de novo, o último país das Américas a ter um padrão de relações entre empregados e empregadores minimamente decente. A escravidão já nos ensinou o suficiente.
Aliás, entra em vigor, neste mês, a nova regra NR1, que prevê obrigatoriedade das empresas em prover cuidados com a saúde mental dos seus trabalhadores.
E como afirmam historiadores: não podemos permitir que o Brasil saia da barbárie e chegue na decadência sem passar pela civilização.
Os votos dos deputados e dos senadores serão acompanhados com lupa.
Cultura? Não! Negócio? Sim!
Está praticamente definido: a Cidadela Cultural, na rua 15 de Novembro, região nobre de Joinville, vai se tornar um prédio de 20 andares.
Sim. O espaço, que serviu como parâmetro da história de Joinville (cervejaria, orgulho da cidade) depois desleixo, depois incêndio, depois ruínas.
Em breve, mais um ícone arquitetônico da História de Joinville vai ceder lugar a um espigão para construtoras e imobiliárias ganharem muito dinheiro.
E tem gente que ainda fala em preservar a cultura!
Faz 25 anos que a Prefeitura comprou o imóvel. Vinte e cinco anos.
Neste contexto de abandono, a ideia que surgiu é a venda do local.
Só que o Ministério Público deu prazo até 3 de novembro de 2029 para a instalação de centro de cultura ali e, também, ser feito todo o restauro da Cidadela Antarctica.
Mais cara e demorada
A tão comentada Ponte Joinville, citada como a salvação da mobilidade em Joinville, está longe de ficar pronta. Pelo contrário. A Prefeitura estendeu para outubro de 2027 a conclusão da obra.
E avisa: vai custar R$ 393 milhões até ficar pronta. Aditivo ao contrato prevê acréscimo de R$ 64 milhões.

FRASE
“O conflito se tornou gramática cotidiana. Vivemos uma era de erosão da confiança“.
(Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal)













