Cláudio Loetz: Santa Catarina tem mais de 2 milhões e 600 mil consumidores inadimplentes

Estudo do Serasa Experian mostra que o endividamento dos consumidores, em Santa Catarina, já atinge a 41,60 por cento da população adulta apta a fazer compras.

São 2.677.492 pessoas nessa situação.

O levantamento, denominado “Mapa da inadimplência e negociação de dívidas” revela que, em SC, o endividamento da população aumentou 0,14 % entre junho e julho deste ano.

Outra informação relevante: há 11.850.567 dívidas em atraso registradas. A soma dos débitos é de R$ 26,1 bilhões.

Em todo o País, são 83,9 milhões de devedores inadimplentes. Eles têm 348,3 milhões de dívidas não pagas, somando R$ 586,4 bilhões.

Em Santa Catarina, de maio a julho, foram fechados 438 mil acordos e renegociações de 67 mil consumidores.

Foto: Carina Caracol/Wikimedia Commons.

O exemplo da Casas Bahia

Ícone do varejo brasileiro por décadas, a Casas Bahia fechou 298 lojas na semana passada em todo o país. Inclusive a unidade da rua 15 de Novembro, no centro de Joinville.

No primeiro semestre deste ano, a rede teve prejuízo de dez bilhões de reais. Vou repetir: dez bilhões de reais.

Sobram motivos para esse desfecho de um terço de todas às unidades do grupo.

  1. Atraso e lentidão para entrar no e-commerce
  2. Crescente endividamento dos seus consumidores, a grande maioria formada por famílias das classes C/D/E.
  3. Os juros altos, que levaram os custos da operação
  4. A incapacidade de obter crédito bancário
  5. A recusa em conseguir aporte internacional de recursos para viabilizar os negócios.

As lojas da rede que continuam abertas operam normalmente.

O caso da Casas Bahia é o mais visível, mas está longe de ser o único.

No Brasil há 9 milhões e 100 mil empresas endividadas e inadimplentes. Juntas elas devem R$ 232 bilhões. O dado é do Serasa Experian. Os números são recorde desde 2016, início da série histórica.

Os números são 16,6 por cento maiores do que os verificados em junho do ano passado.

Prêmio a maus pagadores

Faz tempo que se sabe: no Brasil, o mau pagador é recompensado. Periodicamente todos os governos – municipais, estaduais e a União – fazem campanhas “para recuperar créditos”. O que ficou mais conhecido como Refis.

Por conta desses milhões de maus pagadores, (e em razão da enorme concentração bancária) os juros cobrados em qualquer operação de empréstimo são extorsivos.

Os juros elevados são a prevenção contra quem não vai pagar. Aí, a minoria que faz tudo certo é penalizado arbitrariamente pelos bancos e pelo sistema.

Tecnicamente, como a poupança é pequena, isso reduz a oferta de crédito. Com crédito escasso e receio de inadimplemento, a honestidade é castigada.

Os votos dos migrantes

Começou a campanha eleitoral. Serão só 50 dias até 4 de outubro.

Em Santa Catarina há 5.725.753 eleitores aptos a escolher seus candidatos.

Do total, 260.546 fizeram transferência de domicílio eleitoral desde 2024.

Desse total, 60,5 por cento vieram de cidades de fora do Estado. E 39,5 por cento são migrantes que trocaram de município dentro de Santa Catarina.

A maioria dos novos eleitores aqui em SC, veio do Rio Grande do Sul (25 por cento). Isso é efeito direto do empobrecimento do Estado vizinho nos últimos anos.

Os nortistas (9,75 do Pará, e 4,81 por cento do Amazonas) representam outra parcela expressiva de novos eleitores.

Se, proporcionalmente ao todo, os migrantes vindos eleitores parecem um grupo pequeno, não custa lembrar que, juntos, eles elegeriam um deputado, com folga.

Urna eletrônica – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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