O sobrado da rua dos Andradas, 147, no centro do Rio de Janeiro, era a residência do escritor Machado de Assis nos anos que antecederam sua obra “Ressurreição”.
O imóvel ficou muitos anos abandonado e, progressivamente, perdeu-se a memória deste relevante espaço da história da cultura brasileira.
Ameaçando ruir, o imóvel tombado virou restaurante e até perdeu seu telhado.
O Ministério Público do Rio de Janeiro acionou a Justiça para obrigar o município e o proprietário a restaurarem a casa, sob pena de multa diária de dez mil reais.
Este é um relato de situação verdadeira nada ficcional, do crônico descaso para com o patrimônio cultural.
Os fatos narrados aí acima servem de alerta para que eventos semelhantes não se repitam em Joinville. Aliás, uma cidade que muito pouco se importou com sua história arquitetônica ao longo das décadas.
Há pouco tempo, foi feito um levantamento e se constatou haver 52 imóveis abandonados na região central de Joinville. Muitos deles em deterioração avançada.
Esta realidade impacta na qualidade de vida e reduz o interesse das pessoas irem ao Centro. Os efeitos negativos se refletem para o comércio, para o mercado imobiliário no entorno dessa região até recentemente esquecida; e também causa insegurança a quem precisa transitar por lá.
A decisão da prefeitura de Joinville, com a Associação de Proprietários da Área Central (APAC) e com apoio de grupos de voluntários, de melhorar o aspecto visual desses imóveis é um grande acerto.
O mutirão anti pichação de muros e paredes melhora o ambiente ao redor. Diminui a sensação de abandono e descaso.
Mas ainda é preciso muito mais.
Ideias para tornar o Centro de Joinville mais atraente e convidativo para as pessoas frequentar não faltam.
Há anos, bem antes da atual gestão municipal, um briefing sugeria a possibilidade da região central abrigar negócios das áreas de cultura (galerias, coworkings), escritórios de arquitetura e design; atividades voltadas a tecnologia e espaços de lazer.
Para isso ser viável é essencial que antigos proprietários de tantos imóveis velhos e decadentes queiram revitalizar os lugares. A prefeitura teria de dar uma contrapartida generosa na questão de cobrança de tributos e taxas.
Um projeto bem feito de retrofit da região central de Joinville daria ganhos a todos os envolvidos no processo: os donos dos imóveis, pela sua natural valorização; os comerciantes porque teriam de volta boa parte da clientela perdida; o Poder Público porque seria mais um ponto de atração turística e de desenvolvimento econômico do município.
E, evidentemente, ainda faltam dois elementos fundamentais nessa equação para ser vitoriosa: a iluminação pública precisa ser muito melhor; e as polícias precisam ter presença diária no local, até mesmo com uma base fixa próxima ao terminal de ônibus.
Então, para além do necessário e correto trabalho de pintar muros puxados, multando os infratores, é vital resgatar o Centro para a sociedade joinvilense queira frequentar estes locais.
Do abandono e da insegurança para quadras com vida, movimento, negócios e lazer de qualidade.
Joinville consegue unir todos os players envolvidos para isso deixar de ser um sonho distante?

Leilão
O imóvel da tradicional Sociedade Diana, no bairro Glória, vai a leilão no dia 24 de novembro. O valor inicial é de R$ 4,9 milhões. A segunda praça está marcada para o dia 1 de dezembro.
Rotativo
Em breve, o centro de Joinville voltará a ter estacionamento rotativo. Modelo será pago. O projeto está na Câmara de Vereadores.
Desde 2013 não há estacionamento rotativo na cidade.
Com 494 mil veículos em circulação, quem encontra local para estacionar?
Ponto para os proprietários de terrenos para estacionamento pago.
Medida da inflação
Em 1980, o lanche Big Mac custava R$ 2,75.
Em 2025 o mesmo lanche chega a custar R$ 42,00.
Poder de compra
Já faz um tempo que os consumidores percebem: o tamanho e/ou o volume de produtos – diversos produtos – estão menores nas gôndolas dos supermercados.
Embalagens de um quilo se tornaram 900 gramas; as de 250 gramas agora são 240 gramas e por aí vai.
O nome disso, em Economia é reduflação.
Uma forma de tentar burlar os desavisados. O princípio é: o preço é o mesmo, mas a quantidade vendida diminui.
Até sem experiência
É grande o desespero das empresas para encontrar trabalhadores. A gigante WEG está selecionando cem trabalhadores – com ou sem experiência – para funções como pintor, assistente administrativo, almoxarife e analista de sistemas. As vagas estão abertas nas unidades de Itajaí, Gravataí, Bento Gonçalves e Sertãozinho.
Frase
“Os três Poderes deverão fazer campanhas publicitárias, nas tevês comerciais, na internet e pela Agência Brasil, com informações claras e acessíveis sobre destinação e execução das emendas orçamentárias, entre dezembro de 2025 e março de 2026”
Flavio Dino, ministro do STF















