Vereadores também debateram o impacto do absenteísmo em serviços públicos, infraestrutura rural e segurança; transferência de diretor em escola quilombola gerou apelo ao Executivo
A sessão ordinária da quarta-feira (4) da CVJ foi marcada por cobranças nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e segurança pública. A paralisação nas obras de centros de educação infantil (CEIs) e denúncias de irregularidades no atendimento em unidades básicas de saúde (UBSs) estiveram entre os temas de maior destaque, além de debates sobre o bem-estar animal e o respeito às comunidades tradicionais do município.
Educação e comunidade quilombola
A vereadora Vanessa da Rosa (PT) iniciou seu pronunciamento marcando a transição entre o mês da criança (outubro) e o da consciência negra (novembro). O foco central de sua fala foi o apelo pela revisão da transferência do diretor da Escola Municipal Alfonso Fiedler, que atende a comunidade remanescente de Quilombo Ribeirão do Cubatão. Lendo uma carta escrita por crianças da comunidade, que expressaram tristeza com a saída surpresa do gestor, a parlamentar defendeu que o aprendizado se consolida por meio de vínculos afetivos e cobrou da Secretaria de Educação respeito e consulta às comunidades quilombolas.
Crise nas Obras dos CEIs
Ainda no campo da educação, mas agora no aspecto da infraestrutura. Os problemas envolvendo a construção de sete CEIs pautaram os discursos dos vereadores Neto Petters (Novo) e Dr. Cassiano Ucker (PL). Petters criticou duramente a empreiteira Embracol/Oracon, apontando que a prática de “afundar o preço” em licitações (com até 20% de desconto) gerou problemas de fluxo de caixa, falta de operários e atraso de salários, resultando em 63 notificações administrativas. Petters lembrou que já houve situação semelhante na obra da ponte Albertinho Borschein. Para a continuidade das obras dos CEIs, o parlamentar defendeu a rescisão imediata dos contratos e sugeriu licitações fracionadas por semestre para facilitar a fiscalização.
Complementando o tema, Dr. Cassiano Ucker destacou o impacto social da paralisação, que agrava o déficit de vagas em creches e prejudica pais impossibilitados de trabalhar. Com cinco contratos já suspensos ou em processo de rescisão, Ucker pediu celeridade e prioridade do Executivo na conclusão de duas unidades que já ultrapassam os 70% de execução física.
Denúncias no atendimento de saúde
O vereador Pastor Ascendino Batista (PSD) relatou falhas de gestão na UBS Parque Joinville. O parlamentar afirmou ter comparecido à unidade após 40 minutos de espera em uma ligação sem resposta, momento em que teria flagrado atendentes deixando o telefone no mudo. Ascendino também denunciou a ocultação do QR Code da ouvidoria nos cartazes do posto e a existência de listas paralelas de espera, com exames e consultas retidos por mais de 90 dias, exigindo uma auditoria urgente da Secretaria da Saúde.
A longa espera na saúde também foi tema do vereador Adilson Girardi (MDB), que demonstrou preocupação com a fila para consultas em endocrinologia, relatando atrasos de até dois anos para pacientes prioritários.
Organização Rural e Eventos
Ainda em seu tempo partidário, Girardi (MDB) abordou a necessidade de reorganização da numeração das propriedades rurais. Segundo ele, com a chegada dos CEPs individuais, a numeração informal adotada pelos moradores tem dificultado entregas comerciais e o acesso de serviços de emergência. Ele solicitou campanhas conjuntas entre a Unidade de Desenvolvimento Rural, Conselho Municipal e Secretaria da Fazenda para definir diretrizes oficiais. O vereador também convidou a população para a inauguração de obras financiadas pelo BID no bairro Vila Nova, agendada para 14 de novembro.
Absenteísmo e Causa Animal
A vereadora Tânia Larson (União Brasil) trouxe à tribuna o alto índice de faltas nos agendamentos de castração animal promovidos pelo Centro do Bem-Estar Animal. Ela lamentou que, apesar de o município oferecer vagas desburocratizadas em clínicas conveniadas, muitos tutores não comparecem nem desmarcam, mantendo a estrutura ociosa. Para ilustrar o peso financeiro do absenteísmo aos cofres públicos, ela lembrou o registro de faltas em consultas nas UBSFs no início deste ano de 2026. A vereadora estuda, junto aos órgãos municipais, a aplicação de penalidades aos faltosos.
Segurança pública e falsas comunicações
A segurança pautou as falas de Wilian Tonezi (PL) e Liliane da Frada (Podemos). Tonezi iniciou sua fala dando as boas-vindas ao suplente Leonardo Schultz (suplente de 25 anos que assumirá sua cadeira na Casa, quando Tonezi for para a Assembleia Legislativa) e criticou a política de segurança do governo federal. Ele defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes graves, criticou a proposta de PEC da Segurança Pública por considerá-la uma interferência nas polícias estaduais.
Já Liliane da Frada (Podemos) alertou sobre as sanções jurídicas para cidadãos que realizam denúncias caluniosas motivadas por brigas de vizinhança. A vereadora explicou que a falsa comunicação de crime gera indiciamento policial e provoca o deslocamento desnecessário de viaturas e bombeiros, desviando recursos e atrasando o atendimento de emergências reais na cidade.












