Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Joinville fortalecem o atendimento humanizado e a reabilitação em saúde mental

Desenvolvidos para tratar pessoas em sofrimento mental e substituir o modelo de isolamento, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Joinville se consolidam também como espaços de construção da dignidade e autonomia, em uma rede que envolve atendimento multiprofissional, acolhimento e fortalecimento de vínculos.

Os CAPS são voltados ao atendimento de pessoas com sofrimento psíquico intenso ou transtornos mentais graves, incluindo aquelas com necessidades devido ao uso de substâncias psicoativas, com foco na reabilitação psicossocial, autonomia e reinserção social.

O suporte é terapêutico e médico, com acolhimento porta aberta, dentro do horário de atendimento de cada CAPS. Além disso, as famílias também participam ativamente da rotina, em assembleias mensais que auxiliam no acompanhamento terapêutico.

“Nos CAPS, temos usuários em uma fase mais aguda da doença. Quando se tem uma rede de apoio estruturada, a família está presente e participa nos serviços, a gente percebe uma melhora mais rápida do quadro e maior engajamento ao tratamento de saúde”, enfatiza Priscila Tocachelis Battistella, gerente de Saúde Mental da Secretaria da Saúde de Joinville.

Geane Pedrini, que acompanhou o tratamento da irmã, Jéssica Pedrini, no CAPS II Nossa Casa, entende esse papel. “Eu e a Jéssica chegamos ao CAPS em situação de desespero e fomos recebidas de forma humanizada e empática. Ela passou por internação diária, reajustou a medicação, foi ouvida e tratada. Quando estamos em uma situação ruim, as pessoas que nos dão as mãos fazem toda a diferença”, destaca.

Através da terapia no CAPS, Jéssica recebeu apoio para realizar um sonho: escrever um livro. A equipe a incentivou e a ajudou a concluir o projeto. “Nas consultas, descobriram que ela gostava muito de escrever e, mesmo sem ter terminado os estudos, foi incentivada a lançar seu livro. O CAPS deu a Jéssica o incentivo à independência, um sonho de vida e acolhimento não só para ela, mas para a nossa família”, complementa.

Jéssica destaca o carinho e a oportunidade que encontrou, nas oficinas terapêuticas, para desenvolver o seu talento, e que resultou no livro de poemas “Nos Vestígios da Loucura”, já publicado. “O CAPS foi fundamental na minha vida e minha família sempre me ajudou. Espero que o meu livro possa acabar com o estigma que existe dentro da doença mental e ajudar as pessoas de alguma forma. A doença existe e é possível conviver com ela”, reflete.

Jéssica passou dois anos em acompanhamento no CAPS II, teve alta do serviço e hoje é assistida por uma Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF), que faz parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

“A RAPS é composta por vários componentes, como as unidades básicas de saúde, os CAPS, o SAMU, as UPAs e a rede hospitalar. Geralmente, a porta de entrada é a UBSF, mas o usuário pode buscar o CAPS diretamente, sem necessidade de encaminhamento” reforça a gerente de Saúde Mental.

Ampliação da estrutura de atendimento da saúde mental em Joinville

Atualmente, Joinville conta com quatro CAPS e um centro de convivência para oficinas terapêuticas, os Serviços Organizados de Inclusão Social (SOIS). Neste ano, o serviço foi habilitado como centro de convivência pelo Ministério da Saúde, o primeiro do Sul do Brasil. Esse reconhecimento permite maior aporte de recursos para promover atividades que estimulem a autonomia e a qualidade de vida dos usuários.

Além disso, está prevista a ampliação do CAPS AD, serviço que atende pessoas com sofrimento decorrente do uso/abuso de álcool e substâncias psicoativas, para um CAPS AD III, que passará a funcionar 24 horas e oferecerá 12 leitos de hospitalidade noturna. “Essa obra de ampliação já iniciou e vai fortalecer a nossa RAPS em Joinville”, informa a gerente.

Outra conquista é a parceria com a Secretaria da Saúde do Estado de Santa Catarina por meio da residência de psiquiatria, em colaboração com o Hospital Regional. “Hoje temos residentes em todos os nossos serviços, e este ano formamos os dois primeiros. Estamos formando profissionais dentro da nossa rede, uma parceria positiva que fortalece ainda mais o nosso trabalho”, destaca Priscila.

O atendimento especializado em casos de sofrimento psíquico grave pode ser feito nas unidades do CAPS II Nossa Casa e do CAPS III Dê Lírios, sem necessidade de agendamento. Já para atendimento de pessoas com sofrimento decorrente do álcool e substâncias psicoativas, o atendimento é no CAPS AD; e para atendimento de crianças e adolescentes que necessitam de cuidado intensivo, é o CAPS IJ Infantojuvenil Cuca Legal.

Os endereços e horários de funcionamento da cada CAPS estão disponíveis no site da Prefeitura (link.joinville.sc.gov.br/CAPS). Já o SOIS (Rua Aracajú, 1368) atende somente por agendamento e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h.

Fora destes dias e horários de atendimento, a orientação é buscar os serviços de pronto-atendimento de urgência e emergência para casos urgentes.

Ações em setembro enfatizam cuidado em saúde mental

No mês de setembro, a Secretaria da Saúde de Joinville reforça ações de promoção e reflexão sobre a saúde mental. A programação completa, que abrange rodas de conversa, palestras, exposição fotográfica e outras ações, está disponível no site da Prefeitura (http://link.joinville.sc.gov.br/SetembroAmarelo2026).

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