Folhetim: capítulo 6
Enquanto Julinho se espanta com o sapato andando sozinho, Iraê sai do hospital e Jurema volta à padaria onde um homem a olhava com interesse. Sonho ou realidade?
A grande porta de vidro do hospital se abriu tão logo Iraê se aproximou apoiado em suas muletas. Uma garoa muito fina e fria afastava as pessoas das ruas. Jurema seguia logo atrás, lenta, no ritmo do menino, sentindo um misto de pena e gratidão ao olhar o filho sem uma das pernas, mas vivo.
— Vem, Iraê – chamou abrindo o guarda-chuva.
— Mãe, sabia que agora eu me molho menos na chuva?
— Por quê?
Ele apontou para baixo indicando a perna ausente e riu.
Impressionada com a atitude do filho, seus olhos se encheram de lágrimas.
— Quer uma torta? – Sugeriu Jurema.
— Sim! – respondeu Iraê.
Entraram no uber e em menos de dez minutos chegaram à padaria, escolheram a mesa e sentaram. Ela lembrou da última vez que estiveram ali e do homem que a olhava muito interessado. Pediu a torta e um suco de laranja e, como se o tempo tivesse retrocedido, viu o mesmo homem tímido da vez anterior.

“O que você procura está lá”, a voz do vendedor de livros reverberava em sua mente. Relembrou da praça, do barulho do carro e do filho caído. Foi interrompida pela atendente que trazia o pedido.
Caio esperou que ela saísse e perguntou a Jurema:
— Você não é professora?
— Não. Eu trabalho em uma floricultura.
A atendente voltou e colocou um sonho na mesa de Caio.
— O sonho aqui é muito bom – disse Jurema.
— Eu tô de olho na realidade.
A moça sorriu.
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Escritor quando dá, editor no horário comercial, dramaturgo quando tem ideia, roteirista quando pedem. Gosta de cozinhar, mas anda com restrições alimentares; acredita no ser humano, mas às vezes não. Visita as redes sociais, mas prefere livros e filmes, principalmente em noites de chuva.












