Cláudio Loetz: A implosão das pontes

O mais surpreendente fato político do primeiro semestre em Santa Catarina não é a discórdia entre o governador Jorginho Mello e o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, ambos pré -candidatos ao governo do Estado.

O mais notável fato político até agora veio do discurso do empresário Guilherme Bertani, na sua fala de despedida na presidência da poderosa e influente Associação Empresarial de Joinville, a ACIJ.

Bertani praticamente implodiu as pontes com o MDB. Foi duro e categórico nas críticas:
” Nenhum deputado do partido se interessa por Joinville. O MDB, nesses quatro anos, liderou uma Pasta do governo federal- o Ministério dos Transportes – que, além nada fazer pela BR 280, em São Francisco do Sul, produziu um projeto medíocre para o trecho Norte da BR-101.”.

E disse mais o líder empresarial, que preside a Docol.
” Se na economia somos a locomotiva, precisamos evoluir na representatividade política.
Claro que verbas legislativas são importantes e fundamentais, mas precisamos eleger melhores representantes políticos”.

Digo eu: a chave da fala de Bertani, num evento prestigiado por Jorginho Mello, João Rodrigues, outros políticos e centenas de empresários, foi calculada. Nada foi de improviso.
O ex-presidente da ACIJ, falou o que empresários e população em geral já cansaram de denunciar: o descaso de Brasília ( do Legislativo e do Executivo) para com o Norte catarinense. Faz muitos e muitos anos que somos esquecidos.

E somos esquecidos por pelo menos dois motivos: 1. o desinteresse evidente dos parlamentares catarinenses em trazer recursos de emendas para as necessárias obras de infraestrutura na região; 2. Pela óbvia omissão do Palácio do Planalto em relação ao que efetivamente o Norte de Santa Catarina precisa.

Ao fazer a crítica direta ao MDB, o agora ex-presidente da ACIJ aparentemente escolheu um lado numa fala pública.
Afinal, há décadas, SC é desconsiderada por Brasília.
Basta perguntar para alguém minimamente atento, o que o governo federal fez pelo Norte do Estado ao longo dos anos de governo. A resposta será: – nada.

Daí, a resposta do MDB estadual, dizendo que o crescimento de Joinville se deve ao partido. Na nota, citação explícita a Pedro Ivo Campos; Luiz Henrique da Silveira, Udo Dohler.

Agora, com o advogado André Daher empossado no comando da ACIJ, terá de haver uma ação coordenada de “bombeiros” para a reconstrução das pontes.

Não podemos esquecer – e este é um.ponto central – estamos em ano eleitoral, quando candidatos correm atrás de recursos para as campanhas – e não só atrás de votos.

Agora é a hora dos bastidores fervilhar.

Estímulo

Em Joinville, a Câmara de Vereadores aprovou projeto que permite converter multas de trânsito, consideradas pouco ofensivas e que sejam de responsabilidade do município, em doação de sangue.
A ideia parece meritória para aumentar a quantidade de sangue que pode salvar vidas nos hospitais.
Um outro olhar também permite perceber que isso induz ao descumprimento de regras de trânsito estabelecidas.

Até que enfim

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou projeto que permite o pagamento de impostos estaduais (IPVA, multas, por exemplo) via cartão de crédito ou débito, com parcelamento.

Joinvilense vai comandar entidade mundial

O empresário joinvilense Christian Dihlmann vai assumir a presidência da ISTMA – Internacional Special Tooling and Machinin Association.

Esta é a entidade que reúne as lideranças dos negócios de ferramentaria em todo o mundo. Christian é o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais.

Foto: Divulgação Abinfer

FRASE

“Uma política pública que deixa de ser pública e caminha na direção do privilégio é uma fratura ética”.
(Mario Sérgio Cortella, filósofo, em palestra no evento Summit Cidades 2026, em Florianópolis)

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