Cláudio Loetz: As dores do crescimento

Joinville já entendeu que não é mais uma cidade pequena, onde a elite “controla” o seu crescimento. Joinville já passou desse estágio. Integra-se ao grupo de municípios com forte expansão populacional, e grande parte desse contingente vem por migração intensiva de gente de outras regiões do país e do exterior.

A vinda de migrantes, em grande número, milhares mesmo, deriva de vários fatores: 1. A enorme publicidade e de marketing de Joinville e do Estado de Santa Catarina, – ambos destacam características favoráveis a aspectos de pleno emprego, qualidade de vida, etc.

O que muitos migrantes esperançosos desconhecem é a ausência de política habitacional de acolhimento por parte dos municípios. Muitos dos migrantes sequer tem instrução suficiente para buscar captar vagas de emprego na cidade mais industrializada do Estado.

Na prática, o que deveria ser uma natural absorção dos novos pela estrutura já em funcionamento, se revela um estremecimento social em face da enorme distância entre as expectativas de quem vem em relação a exigências de que os recepciona para o trabalho e enquadramento no contexto da sociedade já organizada.

O efeito disso é percebido de diferentes formas.
A prefeitura avisa que fará levantamento das pessoas em situação de rua para identificar quem são, o que querem e o que precisam

De outro lado, a grande polêmica em torno do funcionamento do restaurante Popular Herbert de Souza, no Bucarein, local que passou a ser objeto de discórdia.

A prefeitura informou que no primeiro trimestre desse ano fez 1350 atendimentos com cafe da manhã, almoços e jantares a quem procurasse o espaço.
O Restaurante Popular existe, em Joinville, desde 2013 e tem como missão viabilizar segurança alimentar mínima a miseráveis, pobres, doentes, gente sem nenhum recurso. E, como estamos na maior cidade de Santa Catarina, com mais de 670 mil habitantes, o serviço social do Restaurante Popular também acolhe drogados e pessoas em situação de rua, desorientados para a vida.

Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação

A prefeita Rejane Gambin já disse e repetiu que não vai permitir que Joinville deixe de ser uma cidade ordeira.
Ok. A se assegurar isso, pelo menos três ações imediatas são obrigatórias:

  1. Identificar quem são os moradores de rua; o que procuram; porque chegaram a Joinville e como será possível ajudar;
  2. Identificar origem e tipo de vida dos migrantes que vem para Joinville e se decepcionam por não encontrarem o que procuravam
  3. Viabilizar a inserção social e econômica destes grupos de pessoas, de modo a que obtenham empregos formais e se ajustem aos padrões de convivência da sociedade joinvilense.
    Tarefa fácil?
    Evidentemente que não. A repressão, por si não adianta; a expulsão deste contingente de miseráveis não elimina o problema.

O certo é que os problemas sociais vieram e só vão aumentar em Joinville: quem clica na Internet vai achar muitas reportagens favoráveis, induzindo a se supor que aqui é o Paraiso.

Com essa esperança, milhares de olhares se voltam para cá. Encontram emprego, mas de que qualidade? Encontram moradia lá no final do final das periferias, com custo de locação muito maior do que conseguem pagar no médio prazo.

Os problemas de Joinville são bem mais graves do que um provável tumulto na fila de comida de um restaurante Popular que a prefeitura concedeu a uma organização social -a Amor Incondicional – administrar, recebendo dinheiro público para isso.

Joinville está naquela encruzilhada na qual quem tem de decidir o que fazer olha para todos os lados e tem dificuldade para decidir..
Construir pontes, agora para reduzir, ainda em 2026, drasticamente a falta de pavimentação nova em 590 quilômetros ruas em diferentes regiões da cidade.
Ou preparar uma política habitacional capaz de evitar a iminente favelização no município ?
Ou se preocupar com implementação de esgoto sanitário de forma universal naquela cidades qualo marketing classifica como ” a cidade mais feliz do Brasil”.

Nessa hipotética cidade mais feliz do mundo, não há um único parque público urbano.
E nesta mesma cidade, as elites e donas do capital pregam contra o fim da escala 6x 1. Temem o que ? Que se o trabalhador folgar um fim de semana inteiro vai criar nova noção de cidadania e compreender que ha muita vida fora do período de trabalho forçado?

Sim
Joinville é uma cidade para os carros. Não é para as pessoas. Muito menos para os pedestres.

Enquanto isso, o tempo passa.

Novo CEO

Harro Ricardo Sclorke Burmann vai assumir a presidência da Tupy no dia 1 de junho.Vai suceder a Gueitiro Matsuo Genso, que ocupava interinamente o cargo, depois da renúncia de Rafael Lucchesi na posição.
Burmann se apresenta no LinkedIn como executivo com 35 anos de experiência na liderança e transformação de empresas nos setores automotivo, naval, serviços,certificações de produtos e em sistemas de soluções em logística.

Foto: Divulgação

Em ano eleitoral

O governo do Estado de Santa Catarina faz mutirão com suas equipes técnicas para apressar as análises e poder assinar convênios com muitos municípios ainda antes de 4 de outubro.
As reuniões com os representantes dos municípios da região da Amunesc (norte e nordeste do Estado) serão realizadas dia 8 de maio, sexta feira.

Nova diretoria

O Síndiscon Joinville terá nova diretoria. O engenheiro Renerio Elias Neto vai ser o próximo presidente do SindusCon Joinville. Assume dia 1 de junho. Prioridades da gestão são desburocratizar processos junto ao poder público e melhorar a qualificação profissional da mão de obra.

Elias Neto é diretor da construtora Focus.

Shopping muda de dono

O Shopping Curitiba tem outro dono. O grupo Allos vendeu o empreendimento para o grupo Soifer, que já é dona dos shoppings Mueller, Pátio Batel e Shopping São José, em São José dos Pinhais.
O negócio foi fechado por R$ 193,5 milhão.

FRASE
“Vai confirmar os 500k ou pode ser 300k”?
Diálogo encontrado pela Polícia Federal mas investigações de pagamento de mesada entre Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira

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