Estreia de Ancelotti: expectativas e realidade



A chegada de Carlo Ancelotti ao comando da seleção brasileira gerou grande expectativa, mas a estreia contra o Equador não foi exatamente o que se esperava. O empate sem gols em Guayaquil foi um resultado pragmático, considerando o estágio mais avançado de preparação do Equador.

Melhora Defensiva

A estreia de Ancelotti trouxe motivos para ter esperança, especialmente na melhora defensiva. A seleção brasileira voltou a sair de campo sem ser vazada, algo que foi comum no ciclo de Copa anterior e se perdeu no atual. O novo treinador posicionou a Seleção num 4-1-4-1 sem a bola, com Casemiro protegendo a entrada da área, e os homens de frente ajudando bastante na recomposição defensiva.


Carlo Ancelotti e o auxiliar Paul Clement, em estreia pela seleção brasileira — Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Carlo Ancelotti e o auxiliar Paul Clement, em estreia pelo Brasil — Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Alexsandro: estreia promissora

O zagueiro Alexsandro teve atuação quase impecável e foi, talvez, a melhor notícia da partida. Ágil e eficiente nas disputas por cima e por baixo, o jogador do Lille mostrou potencial para figurar nas próximas convocações e brigar por uma vaga de titular na equipe.

Problemas com a bola

No entanto, com a bola, o time voltou a apresentar problemas dos tempos de Dorival Júnior. Faltava aproximação entre os jogadores de meio e ataque, e o gramado irregular tornava tudo mais difícil. A Seleção cometeu muitos erros técnicos, de passe, domínio e finalização.

Margem para evolução

Há muita margem para evolução, e Ancelotti já mostrou ser capaz de encontrar soluções para suas equipes nos mais diferentes cenários. O acidentado ciclo de Copa do Brasil dificultou as coisas, e agora o tempo é escasso, mas ainda assim é possível crer em uma Seleção competitiva no Mundial de 2026.

O Jogo

Um Monumental de Guayaquil pintado de amarelo vibrou e torceu muito pela “La Tri”, enquanto o diminuto público brasileiro que foi ao estádio viu uma Seleção Brasileira sem brilho, mas com muita entrega e responsabilidade tática. No fim, Equador e Brasil ficaram no 0 a 0 na noite desta quinta-feira (5), pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo, resultado que acabou sendo o mais justo para a estreia de Carlo Ancelotti no comando da Seleção. Apesar da frustração pelo placar, o empate deixa o Brasil mais perto do Mundial.

Como foi Equador x Brasil

Diante do Equador, o Brasil de Carlo Ancelotti demonstrou que será um time sobretudo solidário. Porque, mesmo que o treinador tenha optado por colocar Estêvão entre os 11 iniciais, a joia brasileira passou a maior parte do primeiro tempo fazendo o que Richarlison, Gerson, Bruno Guimarães e qualquer outro em campo fazia: voltar para ajudar a marcar e a recuperar a bola.

O time também mostrou que se encaminha para ter um padrão de jogo, com recomposição rápida e ataques com passes em profundidade. Mas, em Guayaquil, isso ainda ficou mais na intenção do que efetivamente na prática. Erros de passe foram comuns, em especial nos primeiros 45 minutos. Algo que não se deveria considerar normal numa Seleção Brasileira, mas razoavelmente compreensível se for levado em conta que foram apenas três treinos de um time muito modificado em relação ao que vinha jogando nas Eliminatórias.

Ancelotti tentou dar um novo rumo ao time colocando Matheus Cunha e Gabriel Martinelli nas vagas de Richarlison e Estêvão. A partir daí, o Brasil passou a ser um pouco mais incisivo, mas o Equador se manteve senhor do jogo. O time da casa chegou a finalizar três vezes com perigo, mas parou nas mãos de um concentrado goleiro Alisson. E ficou por isso mesmo.

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