Recuperação da condição depende de fisioterapia para minimizar sequelas; atendimento domiciliar é feito por clínicas e profissionais credenciados na Secretaria de Saúde, mas precisa passar por requisição das unidades básicas de saúde
A continuidade do tratamento e a reabilitação de pacientes diagnosticados com a síndrome de Guillain-Barré em Joinville foram debatidas na Comissão de Saúde na quarta-feira (9). A discussão reuniu parlamentares e gestores de saúde para alinhar os fluxos entre o atendimento hospitalar de urgência e a assistência prestada pela rede municipal de Atenção Básica, com foco na expansão da fisioterapia domiciliar.
Referência municipal em neurologia, o Hospital Municipal São José realiza o diagnóstico e o manejo inicial da doença. Segundo o gerente técnico e de regulação da unidade, Vinicius Barrea, a confirmação diagnóstica envolve exames como tomografia e punção lombar, seguidos da aplicação de imunoglobulina. A reabilitação multiprofissional com fisioterapia e fonoaudiologia começa ainda no leito. Casos de maior complexidade contam com a Equipe Multidisciplinar de Atendimento Domiciliar (EMAD) por até 30 dias após a estabilização clínica.
Após a alta, o paciente é encaminhado para a atenção básica. A gerente de regulação da Secretaria Municipal de Saúde, Flaviane Andrzejewski, explicou que a fisioterapia no domicílio para acamados ou pessoas com mobilidade reduzida é prestada pelas equipes eMulti, mantidas via SUS, ou empresas credenciadas pela Secretaria. Embora a regulação ocorra pelo protocolo geral de disfunções neurológicas, pacientes na fase pós-aguda recente (de zero a três meses após o evento) são classificados como prioridade P1 para acelerar o início dos estímulos.
O vereador Doutor Cassiano Ucker (PL) destacou que a síndrome possui “taxa de reversão funcional” (nome técnico da capacidade de recuperação motora e neurológica) próxima a 80% quando há intervenção rápida. O parlamentar defendeu a priorização dos casos recentes para conter incapacidades permanentes e reduzir custos contínuos ao SUS.
Demanda da comunidade
O vereador Pastor Ascendino Batista (PSD) relatou o caso de uma moradora com dificuldades para obter a fisioterapia domiciliar e questionou a gestão sobre eventuais filas represadas. Em resposta, os representantes da saúde colocaram as equipes à disposição para avaliar a situação relatada e revisar os fluxos de regulação, assegurando o cumprimento dos protocolos de atendimento no município.
Tá, mas o que é Guillain-Barré?
A síndrome de Guillain-Barré é um distúrbio autoimune, isto é, uma situação em que o sistema imunológico da pessoa afetada ataca o sistema nervoso. Ela começa após alguma infecção bacteriana ou viral, combatida normalmente pelo sistema imunológico, que “continua trabalhando” após a infecção ser vencida. Conforme o Ministério da Saúde, a incidência anual é de um a quatro casos a cada 100 mil habitantes, o que permite a classificação da síndrome de Guillain-Barré como uma “doença rara”.
Geralmente, o ataque é ao sistema nervoso periférico, a partir das extremidades. Isto é, os nervos que comunicam pés e mãos ao cérebro começam a ter dificuldade de transmitir as mensagens, o que pode causar dificuldades de movimento, quando pernas e braços não se movimentam como o esperado. Também pode haver perdas de sensibilidade. Regiões do corpo mais afetadas podem não ter a mesma reação a frio, calor ou toques que tinham antes da síndrome.
A recuperação dos movimentos e da sensibilidade depende de fisioterapia. E a fisioterapia, no caso, pode ir além da fisioterapia motora, envolvendo também fisioterapia respiratória, neurológica e eventualmente tratamento fonoaudiológico. Quanto mais constante nos primeiros meses de tratamento, maiores as chances de recuperação plena.












