Folhetim: capítulo 5
A sapataria de Genival parece guardar muitos segredos. Depois do desaparecimento de Jovino, Julinho vê algo inacreditável, enquanto passeia com seu caranguejo.

Julinho vinha faceiro pela praça trazendo amarrado à corda um caranguejo, que ora andava à revelia, indo para o lado, ora era puxado num golpe rápido do menino. Os velhos do dominó, que ocupavam as tardes nas mesas de cimento da praça riam. Schmidt despachou o doble de sena e perguntou:
– Tem nome esse caranguejo?
– É meu cachorro.
– Ele morde?
– Só xereta.
Todos riram da ligeireza do menino que seguiu na direção da catedral.
– Cadê Jovino? – perguntou um dos velhos – Ele não vem jogar hoje, não?
– A última vez que vi estava conversando com o maluco do Dostoiévski, ontem – comentou Schmidt, ao que Venâncio mudou de assunto.
– E aquele menino atropelado? Alguém sabe dele?
Antes que alguém respondesse, o andarilho da cidade chegou e, avistando o menino com o caranguejo do outro lado da praça, gritou:
– Será que estou cego? São animais? São vegetais eucaristianos? – em seguida, vendo Schmidt, gritou – Hei, senhor das tréguas!
– Some daqui, seu mundice!
Julinho descia rumo ao rio que corta o centro da cidade, optou pelo caminho mais longo e sentiu um frio na barriga ao passar em frente à sapataria de Genival. Correu de volta para a praça, com o caranguejo voando atrás de si e contou, ofegante, ter visto um par de sapatos saindo sozinho de lá.
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Escritor quando dá, editor no horário comercial, dramaturgo quando tem ideia, roteirista quando pedem. Gosta de cozinhar, mas anda com restrições alimentares; acredita no ser humano, mas às vezes não. Visita as redes sociais, mas prefere livros e filmes, principalmente em noites de chuva.











