Coluna Jura Arruda

Intercâmbio cultural

Há uma tendência de isolarmo-nos em nossas bolhas, o que é um paradoxo quando vivemos na era mais tecnológica da história, em que se pode acessar qualquer lugar do mundo. Então, se dá que quem prefere um assunto, pode mergulhar nele e isolar-se. O tal algoritmo detecta as preferências do usuário e o bombardeia com o mesmo tema.

Mas tem gente que ainda prefere outros tipos de telas, viagens reais e contato humano, daqueles que têm cheiro, clima e entonações humanas. É o caso de um grupo de agentes culturais de Florianópolis que estiveram em Joinville para uma agenda dedicada ao conhecimento dos principais atrativos culturais da cidade. No Instituto Juarez Machado, tiveram acesso ao acervo, à história do espaço e às ações voltadas à valorização da arte e da cultura.

Participaram da agenda Monica Duarte, presidente da Fundação Franklin Cascaes; Roseli Pereira, coordenadora executiva da fundação; Sandra Nunes, coordenadora das galerias de arte; e Egídio Mariano, técnico do Arquivo Central da Secretaria de Administração de Florianópolis.

A troca é base da existência humana, seja de experiências, de olhares, de ideias. Que a internet é um mundo riquíssimo de experiências, não tenho dúvidas. Mas que experiências reais, estradas e olhares são indispensáveis, isso são.

Recorde de inscritos

As leis de incentivo à cultura são dispositivos importantes no fomento à produção cultural, nem se discute, não é? Bem, há quem discuta, afinal, o artista ainda é visto com descrédito por muitos que consideram o consumo de arte, de cultura, supérfluo. Contudo, entendem benefícios concedidos a empresas, “porque geram emprego e renda”. Não vou entrar, nem me aprofundar no mérito dessa questão, porque o prisma capitalista tende a nos desencorajar de tudo que não seja custo/benefício, desejo e grana.

Mas há algo a se comemorar. O sucesso das leis de incentivo que, este ano, registrou no edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), gerido pela SECULT – Secretaria de Cultura e Turismo, um recorde de inscrições, foram  foram 401 projetos inscritos, número que representa crescimento expressivo em relação ao ano anterior, quando foram registradas 258.

A que se considerar que a Secult realizou sete encontros de orientação específicos sobre os editais da PNAB, com o objetivo de esclarecer dúvidas, apresentar critérios de inscrição e auxiliar os proponentes no processo de elaboração e envio dos projetos.

A arte e a cultura são elementos de primeira necessidade em uma sociedade que há muito deixou de lutar pela sobrevivência simplesmente, ainda que muitos vivam numa situação análoga, sem tempo para refletir sobre sua existência por meio da arte.

Domingo musical com Marcel Powell

Um dos mais conceituados violonistas do país, Marcel Powell, é a atração dos Domingos Musicais deste 3 de maio, às 10h30, na Cultura Alemã Joinville (anexo ao Cemitério do Imigrante). O instrumentista retorna a Joinville depois de 11 anos e abre o calendário de atrações nacionais programadas para os Domus deste ano.

No formato intimista de violão solo, o músico apresentará o espetáculo “Só Baden”, onde faz uma releitura dos clássicos compostos por seu pai, Baden Powell, como “Berimbau”, “Samba em Prelúdio”, “Astronauta”, “Tempo Feliz”, entre outras pérolas da música brasileira. O músico permeia a apresentação com algumas histórias de suas experiências pessoais com seu pai, bem como com informações interessantes sobre como foram compostas algumas das músicas, em parceria com ícones da MPB como Vinícius de Morais e Paulo Cesar Pinheiros.

A entrada é gratuita.

“Tiê”, curta-metragem joinvilense

Observe por um instante os pássaros – a beleza do vôo, a delicadeza do pio, o contraste das asas com o céu azul. Agora imagine tudo isso sumindo de vista, engolido pela mesquinharia humana. Um grupo de artistas de Joinville imaginou, e o resultado é “Tiê”, curta-metragem de animação recém-lançado no YouTube que faz uma crítica contundente à degradação do meio ambiente e ao tráfico de animais.

Tiê, curta joinvilense de Mack Felisperto – divulgação

Com pouco mais de cinco minutos, “Tiê” fala sobre amor, perda, aprisionamento e liberdade, enquanto lança um olhar sensível sobre a devastação da Mata Atlântica e o tráfico de animais silvestres. Uma história breve, mas profunda, sobre tudo aquilo que o ser humano tira da natureza – e sobre o que talvez nunca consiga devolver.

O filme é uma criação de Mack Felisberto, que assina o roteiro ao lado de Ney Siqueira e a direção de arte com Anderson Mahanski, Mack também é diretor de animação. Formado no curso de animação da Univille, ele conta que a ideia começou em um grupo de estudos com ex-colegas e o professor Chicolam. A proposta era criar um curta  para entender na prática o funcionamento de uma produção de animação do início ao fim.

O projeto, porém, cresceu e “Tiê” acabou virando um espaço de experimentação. “Além de contar uma história importante sobre a conscientização da má prática de captura de animais silvestres, eu comecei a usar o curta para testar ritmo, pausas, intensidade dos movimentos e como tudo isso contribui pra emoção das cenas, seja em momentos mais calmos ou mais intensos”, diz ele.

Assista ao curta-metragem “Tiê”, neste link: https://www.youtube.com/watch?v=g546WRtXDYI&t

Tiê, curta joinvilense de Mack Felisperto – divulgação

Mais de 100 canções catalogadas

A produtora cultural Marisa Toledo avança em mais uma etapa da sistematização da obra do  maestro curitibano Luiz Fernando Melara, depois de lançar, no ano passado, um libreto com partituras de canções natalinas. Melara é nome fundamental da música, dedicou quase 40 anos de carreira à condução de corais universitários

Marisa catalogou 100 canções brasileiras, italianas, inglesas, espanholas, sacras, hinos comemorativos e até uma obra em japonês, de autoria ou com arranjo do maestro. Esse trabalho, iniciado em 2024, viabiliza o acesso gratuito do público às partituras editadas em formato digital com grade geral e das partes, os manuscritos digitalizados do maestro (quando disponíveis), e os áudios das partes corais, como medida de acessibilidade a pessoas que não leem partituras musicais, cegas, com baixa visão, disléxicas ou neurodivergentes diversos.

O material está disponível em https://shre.ink/melara100.

Livros gratuitos e autografados

Neste sábado, dia 2, a partir das 10 horas, estarei na livraria O Sebo distribuindo e autografando a trilogia “O sapo Fritz”. Os livros “Fritz, um sapo nas terras do príncipe” e “Fritz, olha o trem” foram relançados com novas ilustrações numa reedição que buscou, a partir da consultoria do historiador Dilney Cunha, introduzir ao texto dados mais precisos sobre a realidade da região entre 1851 (chegada dos primeiros imigrantes germânicos) e 1906 (inauguração da estação ferroviária).

Já o terceiro livro, “Fritz, um sapo nas alturas” é inédito e tem como pano de fundo a passagem do dirigível Zeppelin pela cidade, em 1934.

Os livros também ganharam versões em áudio, que podem ser acessadas no site do autor: www.juraarruda.com

O projeto foi aprovado pela Lei do Mecenato do município de Joinville e tem distribuição gratuita.

Jura Arruda

Escritor quando dá, editor no horário comercial, dramaturgo quanto tem ideia, roteirista quando pedem. Gosta de cozinhar, mas anda com restrições alimentares; acredita no ser humano, mas às vezes não; visita as redes sociais, mas prefere livros e filmes, principalmente em noites de chuva.

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