Rascunhos, escritos e encontros
A Rita me chamou para um café. Queria conhecer o escritor da crônica que havia lido no jornal. Hoje, eu consigo ter uma noção melhor do que representava aquele convite no ano de 2011. Rita é poeta que articula verbetes a recheá-los de sonoridades e significados, a fazer o leitor ter a sensação sutil e intensa de que acaba de descobrir palavra nova, por nunca a ter visto daquela forma, daquele jeito unida a outras.
Naquela tarde, conversamos por tempo suficiente para epifanias e um projeto: “unir escritores para momentos de troca”. Meses depois, aconteceu o primeiro encontro da Confraria do Escritor, movimento que contou com o apoio da Biblioteca Municipal Prefeito Rolf Colin, à época coordenada por Alcione Pauli em um espaço improvisado e belíssimo, na rua Anita Garibaldi.

A Confraria chegou a reunir mais de 200 escritores, escritoras, aspirantes e apaixonados. Nos encontros, aproximei-me de nomes como Carlos Adauto Vieira, Joel Gehlen, Else Sant’Anna Brum, Caco de Oliveira, Dúnia de Freitas, Rubens da Cunha, Elizabeth Fontes, Marlete Cardoso, Hilton Görresen e tantos outros. Foi como receber convite para uma festa exclusiva. Quem era eu na fila do pão? Não fazia ideia, mas era bom estar ali.
Visibilidade
Os encontros ganharam projeção a ponto de termos livros de autores joinvilenses disponíveis para leitura em agências bancárias, em uma época em que se enfrentava filas diante do caixa; fomos presenteados com uma estante especial na entrada da livraria Midas; espaço para cafés literários e lançamentos na livraria O Sebo; uma página semanal no jornal Notícias do Dia onde escritores da cidade eram publicados; programetes com textos da literatura local na rádio Joinville Cultural FM, que ainda hoje ecoam no dial e nos aplicativos de streaming.
Os sábados pela manhã, na biblioteca, na livraria O Sebo, na Casa da Cultura e tantos outros espaços eram preenchidos por um movimento que fazia os olhares se voltarem para a produção literária da cidade. Foi a partir da Confraria do Escritor que surgiu a atuanteAssociação das Letras. Quero crer também que o vento gerado por esse movimento, tenhadespertado de vez a Academia Joinvilense de Letras, um desejo que Carlos Adauto Vieira e Paulo Roberto da Silva já vinham alimentando há muito tempo. Bem, este é um assunto delicado, já fui mal interpretado ao dizer isso, mas reafirmo, a confraria fez barulho, trouxe à cidade um desejo de ir adiante, sob os alicerces que deixaram movimentos como O Cordão, o grupo Zaragata nas décadas de 70 e 80, e a própria Academia de Letras, fundada em 1969.
Registros
Em 2015, produzi, com o apoio do Simdec, uma série de 12 entrevistas com autores joinvilenses, que podem ser assistidos no YouTube, por meio deste site.
Nesses vídeos, escritores e escritoras como Raquel S. Thiago, Humberto Soares, Borges de Garuva, Jorge Hoffmann e, claro, Rita de Cássia Alves, falam sobre seus processos criativos e a importância da arte.
a Verso e o Prosa
No próximo dia 14 de dezembro, a partir das 11 horas, Rita e eu vamos nos encontrar para celebrar nossos 15 anos de amizade e da iniciativa que nos trouxe abrigo para sonhar e fazer: a Confraria do Escritor. Será um encontro bastante informal para conversarmos e celebrarmos os caminhos que nos trouxeram até aqui. Acontecerá no restaurante Casa do Capitão, parceiro de eventos literários, que abraça a Confraria sem cerimônias há anos.
Rita, Marlete, Alcione e eu estamos levando, porque “é bem do nosso tipinho”, como a Rita costuma dizer, ideias para as atividades da Confraria em 2026.
Útero de papel
A nova obra de Rita de Cássia Alves, “Útero de papel – Mínimas contrações” (Manuscritos, 2025), lançada em novembro, durante o Encontro Catarinense de Escritores, evento promovido pela Associação das Letras, terá um momento para autógrafos no dia 13/12, sábado, às 10 horas, na livraria O Sebo, em Joinville. Em seu mais recente trabalho, Rita remexe seus guardados e suas memórias para dar vida a 46 poemas.
Este livro e outros da autora, incluindo, o infantil “Dor de Passarinhos” também estarão à venda no domingo, 14, a partir das 11 horas no restaurante Casa do Capitão.

Textinho maroto para falar de outra coisa, que não geografia
“A Terra é plana para quem não sabe as voltas que o mundo dá”.
Jura Arruda















Respostas de 2
Que linda amizade!
Esse Jura é danado: vai envolvendo devagarzinho, com uma crônica aqui, um poema ali, um conto lá, e quando vemos, já estamos procurando seus textos em qualquer lugar.