Um quintal todo nosso
O dia amanheceu sem nuvens, um vento primaveril tocava nossos rostos com o carinho de uma mãe. A casa branca e imponente com detalhes de um azul delicado ostentava um novo passado. No jardim, um pequeno palco para apresentações musicais, espaço para commedia dell’arte e risos, uma dança cigana, ofertas de livros e toalhas espalhadas sobre o gramado.
Assim aconteceu o Convescote proposto pela prefeitura de Joinville e uma mostra do que será o Festival Literário de Santa Catarina. Encontros e conversas sobre os mais variados assuntos davam a sonoridade de um domingo em família, entre amigos, repousado na diversidade e na cultura.
A casa branca e imponente não foi construída para a chegada de príncipes, como nos mentiram, nem seu jardim foi usado para convescotes de Franciscas e Ferdinands. Os móveis que compunham seu interior não eram da família de Bragança ou d’Orléans, mas um ajuntadode peças.
Vivemos o ano da graça de 2025 e descobrimos que o jardim do Museu Nacional de Imigração de Joinville é nosso, é aberto ao público, é cenário para piqueniques e momentos com a família e os amigos. Que é bem público, bem nosso, bem apropriado para receber toalhas, cestas e momentos de comunhão.
Se o Convescote tinha um propósito, conseguiu cumprir: mostrou-nos que os tempos são outros, que o que é real é mais bonito do que contos de realeza.

A liberdade de dançar
Aulão aberto encerra projeto que levou dança circular ao presídio feminino de Joinville
Nos últimos três meses, a arte também fez parte da rotina do Presídio Feminino de Joinville. Cerca de 34 mulheres em situação de cárcere participaram do Curso de Dança Circular, uma forma de estimular a autoestima, a coletividade e a autonomia, valores humanos indispensáveis para a capacitação e reinserção na sociedade. Agora, a iniciativa encerra com um aulão sobre dança circular aberto à comunidade no dia 25 de outubro, às 9h30, no galpão de teatro da Ajote.
O projeto da VAI! Coletivo promoveu encontros semanais nos quais as mulheres conheceram a dança como linguagem ancestral. Com a ajuda da focalizadora, a mestra Maureen Bartz, do Ananda Yoga para Todos, elas tiveram contato com a dança circular como caminho para perceber no seu corpo em movimento outra forma de (r)existir, de se reconectar com suas próprias histórias e criar novas relações entre si e com o mundo.
Como encerramento do projeto – que inclui ainda uma apresentação dentro do próprio presídio –, o aulão na Cidadela Cultural é uma ação de contrapartida social do projeto e será uma forma de compartilhar essa experiência com as pessoas do “lado de fora”. Aberto a todos os interessados, o “Aulão no Galpão: celas em movimento” será um espaço de contar e vivenciar o corpo sobre as experiências das mulheres na unidade prisional de Joinville com o curso de dança circular. No encontro, a focalizadora Maureen Bartz e Samira Sinara, atriz, produtora e idealizadora do projeto, vão compartilhar as vivências do curso através de imagens, memórias e dança.
Agende-se: Sábado, dia 25, às 9h30, no Galpão de teatro da Ajote (Cidadela Cultural), rua 15 de Novembro, 1.383, América.
O evento é gratuito e terá acessibilidade cultural, com intérprete de Libras

Oficina oferece a idosos de Joinville aulas de teatro gratuitas
Em um mundo ditado pela produção, competitividade e pelo consumismo, no qual a crença geral é a de que ele não tem mais função, ser idoso é um desafio diário. Vai daí que fazer teatro pode ser um grande “achado” para essa faixa etária, pois estimula criação, percepção, expressão oral, corporal e memorização. Em Joinville, o público acima dos 60 anos ganha essa oportunidade por meio da Oficina de Teatro para Idosos, que começa em 3 de novembro na Associação de Moradores do Bairro Bucarein. As inscrições são gratuitas.
O fazer teatral não se resume apenas em decorar falas e marcações, mas possibilitar que o idoso expresse seu conteúdo de vida, suas histórias, seus sonhos, desejos e amplie seu potencial de expressão e comunicação. Os exercícios de criatividade podem levar a sua realização pessoal e a reconquista de um lugar na comunidade.
“A prática do teatro para idosos proporciona estímulo cognitivo, exercitando a memória, concentração e expressão verbal. Além disso, favorece a socialização contribuindo para o combate ao isolamento social comum nessa fase da vida”, reforça o ator e professor de teatro Jackson Amorim. “O teatro também promove a autoestima ao permitir que o participante expresse suas emoções de maneira criativa, contribuindo para uma vida mais ativa e saudável”.
A Oficina de Teatro para Idosos integra o Projeto Teatro e Memória na Melhor Idade, aprovado pelo Sistema Municipal pelo Desenvolvimento pela Cultura (Simdec). A oficina ainda prevê um Encontro Multigeracional e Intergeracional, aberta aos familiares dos participantes para troca de experiências, e também uma apresentação do resultado do processo.

Sobre o ministrante
Jackson Amorim é ator, palhaço e bacharel em interpretação teatral pela FURB; é especialista em encenação teatral e foi professor de teatro no SESC; ator e assistente de direção no espetáculo “Em Alto Mar” e manipulador no espetáculo de objetos “Fadas”; dramaturgo e diretor no espetáculo “Lá Fora”; ministrante da oficina Dramaturgia Latino-americana (SESC) e da oficina Palhaceando; professor convidado do IPGEX (Instinto de Pós-graduação e Extensão); professor convidado da AUPEX; autor do livro “Pequenas Percepções no Trabalho do Ator: o ator-acontecimento”.
Saiba mais:
A Oficina de Teatro para Idosos acontece a partir de 3 de novembro, com aulas às segundas e quartas-feiras, das 19 às 21 horas, na Associação de Moradores do Bairro Bucarein, rua Calixto Zattar, s/n.
A oficina é gratuita e as inscrições podem ser feitas pelo (47) 99706-5521, com Deise.
Microconto
– O senhor pode me pagar um café? – pediu o homem sem nada de seu, com a filha do lado.














