Mais do que uma festa
10 horas de programação em um evento que une diversas culturas
Tem um senhor que se acha dono do mundo, de um belicismo insano, que anda promovendo guerra e marcando a fogo fronteiras; que vai na direção contrária do que a maioria dos países querem e planejam; que atira taxas para destruir soberanias em nome de uma política nefasta. Mas aqui, no nosso quintal, no sul do mundo, as fronteiras serão apagadas, o brasileiro vai provar da arte oriental, os franceses mergulharão nos sabores da gastronomia venezuelana, italianos e haitianos sorrirão com as possibilidades de troca; nortistas, nordestinos, sudestinos, centro-oestino trocaram sotaques e vivências.
Dia 20 de julho acontece o Festival do MNIC 2025, num encontro de arte, cultura e diversidade. Faça chuva ou faça sol, serão 10 horas de programação gratuita no Museu Nacional de Imigração e Colonização, com música, dança, oficinas, rodas de conversa, feira de artesanato e sabores típicos de várias regiões do Brasil e do mundo.

As muitas culturas que formam a identidade de Joinville se encontrarão para desmanchar fronteiras e se unirem para sermos o que se espera da humanidade, gente disposta a compartilhar suas diferentes culturas e se encantarem com o diverso, na paz de uma mesa posta, de um mundo melhor.
Por um dia, os donos do mundo não terão vez, porque aqui embaixo, nós poderemos nos olhar nos olhos e vermos as semelhanças que se encontram acima das etnias, dos idiomas, da cor da pele, porque todos somos uma mesma raça, a humana, ainda que nos contem outras histórias.
📍 Festival do MNIC
🗓 20 de julho, a partir das 10h
🎟 Entrada gratuita
A lerdeza do Arlequim
São quatro andares, oito lances de escada e 64 degraus que separam os cachorros do chão onde poderão passear e fazer suas necessidades. Não sou eu quem leva Arlequim e Muchi para o passeio. Cabe à Claudinha, enquanto cuido da louça e do almoço. Vez por outra, acabo tendo que fazer o serviço. Hoje aconteceu.
Desde que me tornei um empreendedor, e lá se vão 11 anos, meu tempo de ócioreduziu consideravelmente, o tal do home office que tem suas vantagens, é um ladrão de tempo. Aliado ao celular, então, é praticamente escravidão.
No sábado, o celular caiu no chão, de cara, e apagou. Só fui tê-lo de volta dois dias atrás, nesse período, voltei a dar mais tempo para a leitura e outros afazeres manuais. Estou lendo “Fim”, da Fernanda Torres, o primeiro capítulo é soberbo. Como pode um aparelho idiota nos privar da literatura? Que escolhas fazemos!
A descida até o térreo é rápida nos termos que Arlequim impõe. Mas o passeio é um eterno contemplar, sem pressa, sem preocupações. Ele faz xixi um pouco aqui, um pouco acolá e, quando acaba, ele continua fazendo o movimento em arbustos e pneus de carro, sem que saia uma única gota. Então, para e vejo seu nariz se mexendo, farejando, sentindo o vento. Isso pode levar alguns minutos.
Hoje, ao fazer o movimento de cheirar o vento, ele me fez também sentir o sol do inverno e uma leve brisa. Isso me levou a um momento de minha infância, quase pude tocar o capim manteiga e fazê-lo voar segurando a ponta e, num movimento rápido, rompendo as folhas laterais do caule; quase pude sentir meu joelho ralado do último tombo, uma dor que nem dói mais.
A volta leva mais tempo, cada degrau é um obstáculo para o Arlequim. Eu o espero subir, ouvimos uma respiração ofegante, é uma moça grávida, o marido apoia suas costas e eles passam por nós. Há uma música francesa tocando em um dos apartamentos, imagino a cena de um noir, o Arlequim sobe mais um lance, chegamos em casa. Vou ao computador com a urgência de quem tem que pagar as contas do mês, Fernanda Torres me espera sobre o sofá. Há mensagens no whatsapp. O tempo que desejo não é o tempo que o mundo me oferece. Mas eu tenho o Arlequim para me fazer sentir a brisa e desacelerar em seus passeios de lerdeza e contemplação.













