Araquari celebra 150 anos entre memória, diversidade e capacidade de se reinventar

Foto: Divulgação

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Em entrevista, Daia Carvalho, presidente da Fundação Cultural de Araquari e mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade pela Univille, destaca as origens plurais do município e o sentido histórico da marca dos 150 anos.

Araquari chega aos 150 anos de emancipação político-administrativa reafirmando uma trajetória construída por diferentes povos, territórios e ciclos econômicos. Mais do que uma data simbólica, o aniversário do município convida a olhar para uma história marcada pela diversidade, pela reorganização constante do território e pela capacidade de seguir se reconstruindo ao longo do tempo. Segundo Daia Carvalho, presidente da Fundação Cultural de Araquari e mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade pela Univille, a emancipação de 1876 representa um marco formal de uma formação social e cultural muito mais ampla, iniciada séculos antes.

Na entrevista, Daia lembra que os registros mais antigos da presença europeia na região remontam a 1541, quando a foz do Rio Itapocu, hoje área ligada à história de Araquari, aparece nas narrativas da expedição de Álvar Núñez Cabeza de Vaca. A partir daí, a ocupação do território foi sendo moldada, primeiro pela presença indígena e, mais tarde, por fluxos de portugueses continentais, açorianos e pela população negra trazida à força no contexto da escravidão. “A Araquari se formou a partir dessa junção”, afirma.

Essa formação plural ajuda a explicar a identidade de Araquari ainda hoje. Conforme Daia Carvalho, o município foi se desenhando tanto a partir do litoral aberto, na região de Barra do Itapocu, quanto do interior da Baía Babitonga, reunindo comunidades com características próprias e forte vínculo com a terra e com o mar. “Nós não perdemos essa característica de ser homens e mulheres da terra e do mar”, resume.

A emancipação em 1876 ocorreu em um contexto de força econômica ligada aos engenhos de farinha, especialmente em localidades como Corveta, Rainha, Morro do Jacu e Ponto Alto. Naquele período, essa atividade representava a indústria da época e ajudava a sustentar o desenvolvimento regional. Depois, Araquari atravessou fases de perda territorial, mudanças econômicas e até a interrupção temporária de sua autonomia municipal, retomada na década de 1920. Ainda assim, a cidade seguiu em movimento.

Para Daia Carvalho, esse percurso histórico revela uma das principais marcas do município. “Eu acho que isso tem sido um sucesso da cidade, eu acho que essa é uma marca da cidade: a capacidade de se reconstruir”, destaca, ao lembrar que Araquari passou de uma realidade de empobrecimento a uma nova configuração estratégica, hoje impulsionada por sua posição logística, pela proximidade com importantes eixos rodoviários e pela vocação para novos empreendimentos.

Ao completar 150 anos, Araquari também é chamada a refletir sobre o seu modo de receber e de conviver. Na avaliação do presidente da Fundação Cultural, o município preserva um traço humano de acolhimento que atravessa gerações. “A grande reflexão é pensar como a Araquari, um lugar com essa diversidade toda e que, de uma certa forma, sempre recebeu a todos”, afirma. Em outra passagem da entrevista, ele reforça essa imagem com uma comparação afetiva: “Eu vejo como uma grande família que recebe os seus visitantes na cozinha e que lhe oferece boa comida, boa bebida e muito carinho”.

Mais do que celebrar o passado, os 150 anos de Araquari projetam o futuro. Com base em sua história, o município se apresenta como um território de memória viva, responsabilidade cultural e desenvolvimento. “É essa a Araquari que nós queremos, que ela tenha uma capacidade de desenvolvimento industrial, mas ela tem muita responsabilidade social e cultural”, conclui Daia Carvalho.

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