Coluna Jura Arruda

Vá brincar lá fora

Foi o vento numa tarde fria de sol ou os primeiros acordes da música que pairou sobre nós enquanto esperávamos o semáforo abrir. Um amontoado de acontecimentos que foram compondo memória numa terça-feira tola. Novamente, eu estava envolto na perene nostalgia que me habita desde cedo. 

Fui levado à São Paulo do final da década de 70, ao cheiro de mato, ao campinho de terra, às invenções de quem nem sonhava com tecnologia ou telas digitais. Nas caminhadas pela rua, porque andar a esmo era atividade muito séria, eu encontrava no lixo não separado, jogado nos terrenos baldios, a tampa de margarina que junto a outras quatro me garantiam um jogo com tabuleiro de papelão e peças montáveis de uma promoção.

Do pique-bandeira com um galho de árvore às corridas no quarteirão para vencer o tempo do relógio digital, presente de aniversário. A rua era as férias daqueles tempos, a tarde era feita de possibilidades, não tínhamos compromissos com idiomas, karatê ou natação. Era o tempo senhor das invenções, da liberdade de procurar algo para fazer. E tudo iniciava com a voz da minha mãe: “Vá brincar lá fora”!

200 anos nas pontas dos dedos

Instituído oficialmente em 1825 como sistema de leitura e escrita para pessoas cegas, o Braille consolidou-se como um dos mais relevantes marcos na promoção da educação e inclusão de pessoas com deficiência visual em âmbito mundial e em comemoração aos seus 200 anos, desde segunda-feira (18), a Biblioteca Pública Municipal Prefeito Rolf Colin, em parceria com a Sociedade Cultural Braille, vem promovendo uma exposição, palestras e oficinas sensoriais.

A “Exposição Comemorativa – Bicentenário do Sistema Braille” vai de 18 a 29 de agosto. A mostra apresenta materiais e equipamentos utilizados na produção do sistema Braille, além de utensílios de uso doméstico, educacional e profissional adaptados às necessidades do público com deficiência visual. A atividade pode ser visitada gratuitamente de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas, sem agendamento. Das 19 às 21 horas, ocorrerão visitas especificamente para grupos previamente agendados.

A Biblioteca Municipal da Prefeitura de Joinville fica na rua Comandante Eugênio Lepper, 60, no Centro e possui um setor em Braille, com livros em áudio e livros digitalizados para as pessoas com deficiência visual. Além disso, é oferecido o serviço de digitalização. A biblioteca oferece 680 livros em Braille, 316 áudio-livros e mais de 5 mil títulos digitalizados em formato acessível para pessoas cegas.

Biblioteca conta com 860 livros em braille – Foto: Divulgação.

Programação

No dia 23 de agosto, quando ocorre o Sábado Cultural, haverá uma oficina de Braille e desenho acessível, aberta à comunidade geral. Também é necessário agendamento.

Oficinas e palestras:

  • Oficina: “Confecção de Desenho Acessível para Cegos”. Duração de 30 minutos e recomendada para maiores de 11 anos.
  • Oficina: “Noções Básicas de Escrita e Leitura pelo Sistema Braille”. Duração de 90 minutos e indicada para maiores de 11 anos.
  • Oficina: “Técnicas do Guia Vidente no Auxílio aos Deficientes Visuais”. Duração de 30 minutos e recomendada para maiores de 16 anos.
  • Oficina: “Introdução ao Sorobã – Matemática Tátil”. Duração de 1h e indicada para maiores de 12 anos.
  • Palestra: “Desmistificando a Deficiência Visual – Fatos e Mitos”. Duração de 1h e recomendada para maiores de 16 anos.

Intangível

Por onde anda tudo que ficou pra trás? O que seguiu caminho? O que anda em nós, adormecido? Como saber, se urge olhar para frente, aplacar a fome, alimentar restos de sonho e vencer a morte? 

Jura Arruda

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