Acolhimento é a palavra que resume o sentimento de dois bailarinos de apenas 19 anos, que foram contemplados pela Bolsa Talentos do Festival, programa de profissionalização desenvolvido pelo Instituto Festival de Dança de Joinville, e passaram a integrar a Cia. Jovem Bolshoi Brasil. De acordo com Ely Diniz, presidente do Instituto, o objetivo do Bolsa Talentos do Festival é apoiar a fase do início da profissionalização, uma das mais desafiadoras da carreira cultural, em especial na dança. “Além disso, estabelecemos um vínculo cada vez mais estreito com o Bolshoi, que é nosso parceiro”, acrescenta. Em 2023, dois bailarinos foram anunciados como os eleitos, e estão iniciando as atividades agora.
Os bolsistas vieram de grandes cidades, e estão adorando Joinville e, sobretudo, as aulas no Bolshoi que já começaram, mais precisamente no dia 23 de janeiro. O paulista Fabricio Cestari Miranda da Silva é bailarino de jazz e venceu no Festival com o Raça Centro de Artes. Já a carioca Leticia Cola Gomes, que também brilhou com a Petite Danse, alcançando o primeiro lugar, tem como especialidade o ballet clássico. Agora, dizem estar adorando viver essa nova experiência, na única Escola do Bolshoi fora da Rússia, e já têm muito a agradecer. “A cidade é acolhedora, o próprio Festival fez uma recepção já no aeroporto, e a equipe aqui no Bolshoi também é muito atenciosa, todos nos acolheram”, salienta o Fabricio, que se diz encantado com a estrutura da escola.
A bailarina Letícia relata que além da rotina diária de aulas de dança, preparação física e ensaios, eles contam com salas para trabalhar individualmente, academia, núcleo de saúde, enfim, tudo para o cuidado necessário com o corpo, seu instrumento de trabalho. Com relação à cidade, ambos contam que é tudo diferente, mas o ganho em qualidade de vida tem sido enorme. Sem as preocupações geradas pelo estresse com trânsito e segurança nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, eles dizem que têm muito mais tempo para se dedicar à paixão pela dança, e aproveitar essa oportunidade única que receberam.
“Desde 2019 eu participo do Festival, mas nunca imaginei que receberia essa bolsa e um dia estaria na Cia. Jovem Bolshoi Brasil”, relata Letícia. E segundo eles, os aprendizados vão além dos palcos e salas de aula. Letícia optou por morar sozinha, está recebendo um apoio inicial da mãe, mas já está assumindo novas responsabilidades nesse processo. Enquanto Fabricio optou por dividir o apartamento com outro colega de Bolshoi. “Estamos amadurecendo muito”, dizem.
Agora, a expectativa de ambos é participar das turnês com a Cia. Jovem Bolshoi Brasil, e se apresentar durante o Festival de Dança de Joinville, mas não mais como competidores, e sim como integrantes do Bolshoi, no Teatro Juarez Machado. Os ensaios já começaram, e todos poderão ver muito em breve esses jovens mostrando todo o seu talento no palco, agora como novos integrantes dessa que é uma das companhias de dança mais cobiçadas do mundo.
Fabricio Cestari e a inspiração que veio da família
Fabricio Cestari começou muito cedo nos palcos: com apenas nove anos. O interesse surgiu porque a irmã já dançava e ele acompanhava os ensaios. O bailarino paulistano iniciou seus estudos de Ballet Clássico e Jazz na Academia São José, em São Paulo, e, depois, conheceu o Raça Centro de Artes.
Em 2022, Fabricio participou pela primeira vez do Festival de Dança. “Dancei pelo Raça com um trabalho de Duo de Jazz e com dois conjuntos, de Jazz e Contemporâneo. Foi incrível. É uma delícia estar naquele palco”. Em 2023, retornou ao festival de emoções e ganhou, também pelo Raça, o primeiro lugar da categoria Jazz Solo Masculino Sênior da Mostra Competitiva com a coreografia “Preencha-me o Vazio que Ficou”.
A performance do solista chamou a atenção dos professores da Escola Bolshoi e, na Noite dos Campeões, a notícia da seleção para a Bolsa Talentos do Festival chegou ao conhecimento do contemplado. “Depois que dancei, o diretor da Escola Bolshoi me chamou e ao meu coreógrafo para conversarmos. A gente estava lá na coxia, foi bem especial. Fiquei super feliz e me emocionei. É como se tudo que fiz até agora, todo o esforço e dedicação, valessem a pena. Foi um sentimento de gratidão”, conta. “Essa bolsa nos incentiva a continuar, a buscar a profissionalização”, acrescenta.
Leticia Cola, dos primeiros passos aos grandes palcos
Leticia Cola começou a fazer ballet ainda mais cedo: aos quatro anos, na Lenira Borges Ballet Studio, em Vitória (ES), e, aos oito anos, na Petite Danse, no Rio de Janeiro (RJ). Seu interesse em seguir carreira surgiu aos 12 anos, quando Nelma Darzi, a fundadora e diretora da Petite Danse, a convidou para fazer parte da companhia da escola. “A partir daí, comecei a fazer aulas diariamente e evoluir minha técnica”, explica. Em 2019, aos 14 anos, participou pela primeira vez do Festival de Dança de Joinville, com 15 apresentações nos Palcos Abertos.
Em 2022, a dançarina retornou ao festival de emoções como demi-solista em um grupo sênior, quando a Petite Danse conquistou o segundo lugar. Em 2023, a jovem levou o primeiro lugar com o solo Neoclássico “Metanoia”, no Festival da Sapatilha; e fez parte da conquista da companhia carioca do primeiro lugar na categoria Balé Clássico de Repertório – Conjunto – Sênior da Mostra Competitiva, com a coreografia “Grand Pas de Fleurs”. Mas o grande momento mesmo ocorreu durante os preparativos para a Noite dos Campeões.
“Eu estava prestes a ir para o ensaio de palco com o grupo, aí o coordenador, o Luiz Henrique, me chamou e contou! Ter o trabalho reconhecido por pessoas tão significantes me deixou muito feliz e animada. Celebrei de uma forma especial, dançando mais uma vez no palcão, que é sempre muito especial e memorável”, conta.
“O Festival é muito importante, pois é uma experiência única e incrível. Proporciona oportunidades de dançar para uma enorme plateia, com uma energia inexplicável, que só tem em Joinville. Possibilita conhecer diversos dançarinos talentosos de todo o país, dá oportunidades de reconhecimento, networking, feedback e desenvolvimento pessoal também. O evento tem um papel muito importante de crescimento dos dançarinos em direção a uma carreira profissional”, acrescenta.
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