Luto oficial em Joinville pela morte de Juarez Machado

A prefeita Rejane Gambin decretou luto oficial de três dias na cidade de Joinville.

O artista joinvilense Juarez Machado morreu nesta terça-feira (6/10), aos 85 anos, no interior do Rio de Janeiro. Reconhecido pela trajetória como multiartista e pela irreverência de suas obras, Juarez ganhou galerias e encantou pessoas por todo o mundo.

“Joinville é grata ao legado de Juarez Machado à cultura e às artes. Ele ajudou a levar o nome de Joinville para o Brasil e o mundo, deixando sua marca como um artista talentoso. Juarez será sempre lembrado pelas suas obras, personalidade marcante e irreverência. Nossos sentimentos à família, amigos e toda a comunidade artística”, destaca a prefeita.

Em 2015, Juarez Machado foi homenageado com a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca, a maior honraria concedida pela cidade de Joinville, por suas contribuições para o engrandecimento de Joinville. Em 1982, recebeu o título de Cidadão Benemérito pela Câmara de Vereadores de Joinville.

Talento joinvilense que ganhou o mundo

Juarez Machado nasceu em Joinville, em 16 de março de 1941. Ainda na infância, mostrava interesse por desenhos e esculturas e, aos 14 anos, começou a trabalhar na produção de rótulos e embalagens de medicamentos em uma oficina gráfica, onde em meio aos pincéis e tintas reforçou a descoberta de sua vocação.

Quatro anos mais tarde, mudou-se para Curitiba para ingressar na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Na capital paranaense, formou-se e iniciou a carreira de sucesso com a primeira mostra individual dos seus trabalhos.

Em 1965, foi para o Rio de Janeiro, onde atuou como chargista em diversos jornais e integrou os núcleos de criação e humor da TV Globo. Na emissora, popularizou-se como mímico ao interagir com os próprios desenhos durante o Fantástico, e produziu cenários e figurinos para quadros como “Faça Humor não Faça Guerra”, “Balança, mas não cai” e “Balão Mágico”.

Além disso, trabalhou na produção de videoclipes e musicais de artistas como Elis Regina, Roberto Carlos, Raul Seixas e Emílio Santiago.

No início da década de 1980, já com ateliês em Joinville e no Rio de Janeiro, mudou-se para Paris, onde iniciou seu terceiro ateliê e morou por décadas. Reconhecido como multiartista, consagrou-se como pintor, escultor, escritor, desenhista, mímico, chargista, escritor, ator e caricaturista.

Em sua trajetória artística, recebeu diversos prêmios e condecorações, como o prêmio da 5ª Bienal de Arte da Itália, o prêmio Cenários em Televisão, o prêmio “Barriga Verde” de Artes Plásticas de Santa Catarina e o prêmio Nakamori (Japão) pelo melhor livro infantil.

Em Joinville, seu trabalho está imortalizado em “O Grande Circo”, a maior obra feita pelo artista. O mural de 90 metros quadrados, composto por 963 peças cerâmicas pintadas à mão, embeleza a fachada do Centreventos Cau Hansen. No complexo, o artista também dá nome ao Teatro Juarez Machado.

Na cidade, o Instituto Juarez Machado, inaugurado em 2014 no antigo endereço da casa dos pais do artista, guarda obras do joinvilense e abre espaço para a promoção das obras de outros nomes do cenário local, nacional e internacional.

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