FEMUSC apresenta, pela primeira vez, uma ópera brasileira como destaque central da programação

Foto: Diego Redel/FEMUSC.

Com mais de 80 artistas em cena, a montagem reúne orquestra, coro, solistas e elenco infantojuvenil para contar uma história que atravessa aventura, magia e coragem, dialogando com temas como ancestralidade, pertencimento e protagonismo feminino. A direção é do amazonense, Matheus Sabbá, que revisita a obra 12 anos após a estreia, ocorrida no Festival Amazonas de Ópera.

O autor da ópera, João Guilherme Ripper, celebra o encontro da obra com o FEMUSC e com a nova geração de intérpretes. “Cheguei ontem e tive uma grata surpresa. Assisti aos talentosíssimos cantores solistas que integram o festival. O que vemos aqui é um reflexo muito claro de uma nova geração de cantores surgindo no Brasil”, afirma. Para Ripper, esse movimento é resultado direto da formação: “Isso é fruto do trabalho de bons mestres, algo que sempre precisamos valorizar: a educação musical”.

Ripper destaca ainda a afinidade da equipe artística com a obra. “O maestro André Santos e o diretor cênico Matheus Sabbá conhecem profundamente a ópera. Eu sabia que a obra estava em excelentes mãos. A concepção visual está muito bonita e a parte musical está caminhando muito bem”, comenta, após acompanhar a primeira passagem com a orquestra.

Criada a partir de uma encomenda do Festival Amazonas de Ópera, Onheama nasceu para dialogar com o público jovem e com a Amazônia. Inspirada no mito do eclipse, a narrativa acompanha a trajetória de Iporangaba, uma jovem guerreira que enfrenta a “onça celeste” para salvar o sol. “A figura de Iporangaba vencendo a onça pode representar o desmatamento, a exploração desmedida e a violência contra a Amazônia. Essas leituras se fortalecem conforme o contexto histórico em que a obra é apresentada”, explica o compositor.

Para Ripper, a presença da ópera no FEMUSC tem um significado especial. “Ela nunca foi apresentada no Rio de Janeiro, por exemplo, e agora chega a um dos grandes centros de formação musical do país. É especialmente importante porque crianças e jovens têm a experiência de trabalhar com a obra de um compositor vivo”.

À frente da encenação, Matheus Sabbá antecipa a intensidade da experiência ao público. “A gente fala de aventura, coragem e magia. A trajetória da Iporangaba ilustra todos esses sentimentos. É um mix de emoções que a ópera já tem, mas que se intensifica por ser uma obra brasileira, tudo é mais próximo da gente”. O diretor ressalta ainda o caráter coletivo do projeto: “Conseguir reunir tanta gente boa em tão pouco tempo é algo que me surpreendeu. E o coração da ópera são as crianças, que dão um brilho especial a essa montagem”.

Além da força artística, a produção também traz um olhar atento à sustentabilidade. O figurino da montagem utiliza quase uma tonelada de material de rejeito da indústria têxtil local, ressignificado em cena e integrado à estética da obra, reforçando o diálogo entre a criação contemporânea, o território e a consciência ambiental.

Para o maestro André Santos, regente da montagem, Onheama amplia o diálogo da ópera com o público ao tratar de temas brasileiros em sua própria língua. “O público pode esperar um espetáculo impactante. É uma ópera brasileira cantada em português, o que cria uma conexão imediata com quem assiste. A obra dialoga com a cultura do Norte e do Amazonas, dentro da linguagem da música ocidental, mas com influências de ritmos brasileiros”, destaca. Segundo ele, o caráter coletivo da montagem potencializa a experiência: “É um espetáculo visualmente forte, com coro, orquestra, dança e muitas crianças em cena. Dá muito orgulho apresentar uma ópera de um compositor brasileiro, presente no festival e acompanhando de perto. Além disso, a ópera movimenta uma grande cadeia de profissionais e demonstra que a cultura também é um fator relevante para a economia e para a formação artística”.

Com Onheama, o FEMUSC oferece ao público um encontro raro entre a criação brasileira, a formação musical e a experiência de palco em grande escala. Para João Ripper, estar no festival tem um valor que vai além da apresentação em si: “Aqui, dentro do Femusc, vemos uma verdadeira bolha de convivência, de troca e de respeito entre diferentes culturas e nacionalidades. É um espaço onde as pessoas dialogam pela palavra, mas, principalmente, pela arte. A música, assim como o esporte, é um dos caminhos mais potentes para que a humanidade se compreenda”, finaliza.

Serviço

O quê: Ópera Onheama
Datas: 23 e 24 de janeiro
Horários:
• 23 de janeiro (sexta-feira), às 20h30
• 24 de janeiro (sábado), às 14h
Local: Grande Teatro SCAR – Jaraguá do Sul (SC)
Festival: FEMUSC – Festival de Música de Santa Catarina
Classificação indicativa: livre

Retirada de ingressos (2 por pessoa)

  • Na bilheteria da SCAR, das 8 às 20h, ou pelo site femusc.com.br  
  • Distribuição a partir de 48 horas antes de cada concerto

Sobre o FEMUSC 

O FEMUSC é o maior festival-escola de música erudita da América Latina. Comemorando 21 anos em 2026, o Festival Internacional de Música de Santa Catarina reúne cerca de 600 alunos de quase todos os estados brasileiros e de 21 países, de 11 a 24 de janeiro, para 14 dias de aprendizado, trocas culturais e muita música com professores das mais renomadas orquestras do mundo. A comunidade de Jaraguá do Sul e região abraça o festival com entusiasmo, lotando os 230 concertos gratuitos realizados no Centro Cultural SCAR e em espaços variados da cidade, atingindo um público de mais de 30 mil pessoas e deixando um legado duradouro na região e na vida de cada um dos alunos. Mais informações em 🔗 www.femusc.com.br  

O 21º FEMUSC é realizado pela Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais, do Governo Federal, e conta com o Patrocínio Master do Itaú, Laranjinha Itaú e WEG, é patrocinado pelas empresas DR Aromas & Ingredientes, Auroracoop, Grupo Elian, Zanotti Elásticos e Porto de Itapoá, apoio da Master Operações Portuárias, Mime, Menegotti, Martinelli Advogados e Unisociesc e realizado por SCAR, FEMUSC Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e Prefeitura de Jaraguá do Sul. 

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