Folhetim: capítulo 9
Cecília traz um assunto que Armênia quer evitar, mas, no canto da sala, há algo que não vai deixar a conversa se encerrar ali.
Da janela da sala, Armênia viu a filha estacionar o carro, sair e abrir o portão de madeira. As crianças não vieram e isso não era bom sinal.

Cumprimentaram-se com um toque de mãos fechadas, mas minutos depois estavam sentadas muito próximas e sem as máscaras. Como lidar com os protocolos de uma pandemia? Muito a aprender.
— As crianças estão bem, mãe. O que me trouxe aqui é um assunto que… ah, eu sei que a senhora não gosta de falar nisso, mas eu preciso esclarecer.
— Ave Maria, Cecília! Desembucha!
— Lembra daquele amigo do pai?
— Não acredito que você vai retomar esse assunto.
— O Julinho, filho da Silvana, chegou desesperado ontem em casa dizendo que viu uns sapatos andando sozinhos. E o homem sumiu.
— Besteira!
— Mãe! Por favor!
— Antes de morrer, seu pai perdeu a razão, não falava coisa com coisa.
— Isso aconteceu depois de calçar aqueles sapatos.
— Era só um par de sapatos, filha!
— Aqueles? — apontou Cecília para o canto da sala.
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Escritor quando dá, editor no horário comercial, dramaturgo quando tem ideia, roteirista quando pedem. Gosta de cozinhar, mas anda com restrições alimentares; acredita no ser humano, mas às vezes não. Visita as redes sociais, mas prefere livros e filmes, principalmente em noites de chuva.












