Folhetim: capítulo 7
Rita vai em busca do marido desaparecido. Em frente à sapataria, tem uma surpresa. O que aquele lugar esconde?
Uma luz híbrida, meio poste meio lua, derramava-se sobre o sapato de Jovino, que parecia esperar o momento certo para atravessar a rua, mas fora erguido pelas mãos de Rita. A moça reconheceu o par que pertencia ao marido. “Onde aquele velho se meteu”?
A sola era nova, colada ao couro muito velho. Com um pouco de imaginação se poderia ver no velho par de sapatos o casal singular que eram Rita e Jovino. Ela, moça nova cheia de brilho, ele um couro surrado, cansado do caminho, mais ainda: ostentando alguma classe, uma réstia do que fora.

O que fazia aquele sapato sem dono e com novo solado na calçada da rua Gonçalo Annes Bandarra? O conserto dava pista de onde começar a busca: a sapataria de Genival.
A porta de enrolar estava fechada, Rita bateu com energia sobre ela fazendo um grande estardalhaço. Quando investiu pela segunda vez contra o aço da porta viu o sapateiro surgir por trás do jacatirão.
– Seu Genival, onde está Jovino?
– O marido não é meu.
Rita jogou o par de sapato no chão e partiu pra cima do homem. “Que desrespeito a gente combate é com tapa!”, dizia sua mãe.
– Calma aê! – gritou o homem empurrando-a – deve estar na praça com os velhos ou num bar. Vá procurar!
Decidida, Rita resolveu ir em busca do marido, mas não foi só o marido que havia sumido.
– O senhor viu o sapato que estava aqui?
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Escritor quando dá, editor no horário comercial, dramaturgo quando tem ideia, roteirista quando pedem. Gosta de cozinhar, mas anda com restrições alimentares; acredita no ser humano, mas às vezes não. Visita as redes sociais, mas prefere livros e filmes, principalmente em noites de chuva.












