Coluna Jura Arruda

O carnaval e o silêncio

Há uma música do Aldir Blanc que já usei para exaltar meu nascimento em fevereiro, chama-se “Na orelha do pandeiro”, ouço-a vez ou outra em um CD que guardo entre os indispensáveis. O trecho que canto em altos decibéis é este:“Não, não nasci em dezembro | Não vivi no mosteiro | Nós brotamos da terra no mês de fevereiro | Com samba no pé”.

Sim, nasci em fevereiro, mas o samba não me alcançou os pés, menos ainda o quadril. Sou da observação, do ouvido, do silêncio. Se não sambo, ouço como poucos. Sou das palavras, sou dos significados e significantes, sou do que se quer dizer e se diz, com melodia. Daí que o carnaval me pega de duas formas, uma pelo apreço, pelo samba, pela cultura e pela alegria; outra, pelo desejo de estar silente, de não dizer nada, apenas ver a banda passar.

E vejam só, os dias de samba e avenida, muitas das vezes, acontecem durante meu aniversário e, ano após ano, fico entre uma festa com muitos amigos, blocos carnavalescos, samba e caipirinha e o pesque-pague numa recôndita área rural ou um almoço com o núcleo familiar. Sou isso: metade exaltação, metade silêncio. 

Ao passar de meio século, caminho mais para o canto dos confortos do que para a avenida, seria a sociedade do cansaço me consumindo nessa busca incessante pela felicidade a tanto custo? Gosto de acreditar que não, que ainda consigo estar imune, que basta uma pequena alegria qualquer para oxigenar meus anseios e eu querer voar.

Pré-conferências de cultura em Joinville.

● 4/2 – quarta-feira – Cultura Popular + Audiovisual

● 5/2 – quinta-feira – Teatro e Circo + Formação Cultural

● 10/2 – terça-feira – Patrimônio Material + Música

● 11/2 – quarta-feira – Museus + Comunicação e Cultura

● 12/2 – quinta-feira – Livro, Linguagem e Literatura + Artes Visuais

Todas as pré-conferências serão realizadas na Casa da Cultura e on-line, das 18h30 às 22h30

🗓️A 10Conferência Municipal de Cultura, que reunirá todos os setores, acontecerá na sexta, dia 13 de março, das 17 às 22 horas e sábado, dia 14 de março, das 8 às 18 horas, no Museu da Dança de Joinville, Rua Orestes Guimarães, 406, no bairro América.

Verão Teatral

O 13º Verão Teatral se aproxima, com apresentações a partir de quinta-feira (19), e se reafirma como uma das tradições culturais de Joinville nesta época do ano.

Em 2026, o festival acontece de forma independente, realizado pela Associação Joinvilense de Teatro (AJOTE) e contará com 9 espetáculos teatrais e 1 oficina, reunindo diferentes linguagens, estéticas e propostas.

Grupos associados à AJOTE e convidados de Jaraguá do Sul e Florianópolis subiram ao palco em Joinville. Todas as apresentações contam com intérprete de Libras.

A programação completa com informações sobre os espetáculos você encontra no Instagram @teatroemjoinville.

Espetáculo Deu a Deu a Louca em Hollywood, do grupo Kulture Kaos – Divulgação.

Tem espaço para dança 

Estão abertas as inscrições para a próxima temporada do Juarez na Dança!, um projeto realizado pela administração do Centreventos Cau Hansen para promover apresentações de dança a preços populares no Teatro Juarez Machado o ano inteiro. Até 13 de fevereiro, companhias e escolas podem inscrever seus espetáculos para buscar uma vaga na agenda do primeiro semestre de 2026. Não há cobrança da locação do espaço, e os grupos podem utilizar gratuitamente a estrutura de sonorização e iluminação do teatro.

Nesta edição, a sexta a ser realizada, estão disponíveis 16 datas entre os meses de março e junho. Para requerer uma vaga, o inscrito precisa ser uma escola ou uma companhia de dança sediada em Joinville e ter um espetáculo de, no mínimo, 45 minutos. As propostas serão avaliadas considerando a ordem de inscrição, o conceito do espetáculo, o número de bailarinos participantes, o tempo de duração e a temática. 

Inscrições: Até dia 13/02, por meio do formulário disponível neste site.

A densidade emocional de momentos fugazes

O Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville, apresenta a exposição “Mundo Gion: Nuances do Hanamachi”, da artista Annete Owatari, um convite íntimo e poético à contemplação de um dos mais emblemáticos hanamachis — os tradicionais distritos de gueixas – da cidade de Kyoto, no Japão. A mostra pode ser visitada de 7 de fevereiro a 7 de março de 2026. O evento de abertura da exposição acontece no dia 7, sábado, entre 10 e 12 horas, com entrada gratuita. 

Por meio de um olhar delicado e atento, a exposição propõe um mergulho em um universo onde estética, gesto e silêncio coexistem em permanente estado de transitoriedade. As figuras das gueixas e maikos aparecem de forma etérea e enigmática. Detalhes minuciosos — gestos contidos, olhares oblíquos, movimentos graciosos e lábios intensamente rubros — tornam-se protagonistas, carregando camadas de tradição, sofisticação e emoção. Nesse percurso visual, o tempo parece se dissolver: o que se revela também se oculta, convidando o olhar a desacelerar.

A exposição conta com uma ambientação multissensorial, por meio de projeções de vídeo e fotografia, além de textos interpretativos que contextualizam o projeto e estimulam a reflexão e a construção de sentidos.

A exposição Mundo Gion: Nuances do Hanamachi, da artista: Annete Owatari, com curadoria de Lucila Horn vai de 7 de fevereiro a 7 de março de 2026, no Instituto Internacional Juarez Machado (@institutojuarezmachado).

A entrada será gratuita na abertura do evento – dia 7 de fevereiro, das 10 às 12 horas. Nos outros dias, R$ 10,00 (inteira) ou R$ 5,00 (meia). Para quem for de bicicleta, a entrada é gratuita.

Exposição mergulha no universo de gueixas e maikos – Foto: Divulgação.

Jura Arruda

Escritor quando dá, editor no horário comercial, dramaturgo quanto tem ideia, roteirista quando pedem. Gosta de cozinhar, mas anda com restrições alimentares; torcedor do São Paulo F.C., o que não chega a ser um alento nos dias atuais; visita as redes sociais, mas prefere livros e filmes, principalmente em noites de chuva.

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