A entropia e o distópico da Avenida Brasil
Pela primeira vez na história, os filhos têm a média do quociente de inteligência mais baixa que a dos pais (matéria publicada no site BBC, em outubro de 2020). Em outras palavras, porque é preciso deixar muito claro, a geração atual está menos inteligente do que a precedeu. Um dado que pode ser visto como algo a ser investigado, sem dúvida, mas que não chega a ser um desastre.
O desastre vem agora:
Desde que o mundo é mundo, a luta pelo poder e por território é o traço mais característico da humanidade. Somos bélicos, queremos poder, que é o que nos oferece estar à frente, estar acima, estar com o controle que nos permite viver com segurança financeira e satisfazer desejos e prazeres. O ser humano tem desejos e quer sentir prazer, desde que a Terra se formou um planeta de ambiente fecundo. Mas se você não simpatiza com as ideias de Darwin ou com estudos científicos, pode-se dizer que desejos e prazer habitavam também o Éden. Você deve saber do sabor da maçã e a promessa de poder. Ou não era esse o motivo, tanto quanto a curiosidade, para o primeiro casal colher da árvore do conhecimento do bem e do mal?
Na luta por poder, o homem criou regras, ludibriou e tolheu. Chegamos a 2026, que imaginávamos de esplêndido avanço tecnológico e social, mas nos deparamos com um grau tão alto de ignorância e estupidez, que mesmo o avanço tecnológico, que houve sim, não deu conta da inércia cerebral que assola a espécie humana.
Isto, aliado a uma crueldade sem fim, que arremessa ódio e mentira aos quatro cantos da Terra (sim, eu uso de ironia a citar os cantos da Terra), gerou uma horda de lunáticos que olham para um chinelo e veem o demônio.

Conversava com meu afilhado, de onze anos, ontem. Ele me falava sobre torcidas aliadas no futebol, que a torcida do Palmeiras, seu time de coração, é aliada às de Vasco e Atlético Mineiro. Em sua inocência e um contato pouco saudável com torcedores aguerridos que transformam os campos de futebol em arenas da Idade Média, pensou ser interessante o que me contava. Pedi que ele me ouvisse: “Sabe, quando se precisa de aliados é porque há inimigos a se enfrentar. Ser aliado é, portanto, ser alguém disposto a brigar. Eu prefiro o termo “amigo”. Torcidas amigas são realmente admiráveis, não as aliadas”. Lembrei do caso tristíssimo da queda do avião da Chapecoense, em 2016, quando ia à Colômbia para disputar o título da Copa Sul-Americana. Diante do trágico acidente, a diretoria do Atlético Nacional abriu mão da taça e indicou a Chapecoense como campeã, num gesto desportivo e grandioso. Afinal, deixara de colocar mais uma taça em sua sala de troféus, mas entrava para a história com um gesto admirável.
Em 2026, a Chapecoense fará uso de um uniforme que lembra o do Atlético Nacional, numa homenagem bonita e amistosa. [Amistoso: Adjetivo. Que denota amizade; próprio dos amigos; amigável].
Trago esta história para contrapor ao que vivemos hoje, uma Era de ódio, notícias falsas e extremismo, a se considerar ainda o perigo que a Inteligência Artificial oferece quando nas mãos de quem intenciona o poder sem escrúpulos. Vivemos um momento de entropia política e temos um futuro distópico quase ao nosso alcance, ali, no ano que vem.
Salve-se quem puder, e um feliz natal.














