É plenamente justificável a reação desencadeada pelo brutal assassinato do cachorro Orelha, em região nobre de Florianópolis, cometido por adolescentes de famílias ricas.
A barbárie precisa ser punida.
Os excessos e a maldade dessa gente estão, há semanas, na mídia Nacional, como exemplo de um comportamento de parte da sociedade: o absoluto desrespeito para com tudo e para com todos.
O mundo atual idealiza os pets, e boa parte das pessoas enxerga neles, nos cachorros, a sua salvação emocional: um evidente exagero.

Nossa sociedade ignora ou desrespeita os idosos, coloca nossos filhos nas creches para não ter de se incomodar com ambos. Mas coloca os cachorrinhos no colo.
A classe média e a elite econômica compra shampoo especial, compra ração de marca, toma cuidados com a saúde dos “fofinhos” que não têm para com humanos. Nem mesmo para com os seus humanos mais próximos.
Mais: os pets dormem na mesma cama e são chamados de “filhos”.
Daí, é natural que o mercado pet aumenta exponencialmente. Business e lobby sempre se atraem e vivem.juntos.
Vamos a alguns números, que explicam a situação.
Levantamento da consultoria Euromonitor mostra: no Brasil, em 2019, havia 149 milhões de animais de estimação (cães e gatos).
- Em 2020 já eram 156 milhões.
- Em 2021: 161 milhões de viventes latindo e miando.
- Em 2022 o total passou para 167 milhões.
- Em 2023 somavam 174 milhões.
- E em 2024 havia 179 milhões de cachorros e gatos.
Ou quase dois pets para cada brasileiro adulto. O Brasil tem a terceira maior população de pets do mundo. Só atrás da China e dos Estados Unidos.
O Brasil também é o terceiro maior mercado (em faturamento) para negócios relacionados a cães e gatos.
O Brasil representa 4,95 por cento do mercado mundial. Os Estados Unidos lideram, com folga, com 44 por cento, seguido da China, com 8,7 por cento. Estes números são da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).
Em dezembro de 2025, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a união entre a Petz e a Cobasi: dois gigantes do segmento de petshops – mas impôs a venda de algumas unidades para garantir a concorrência de outros players menores, depois que o Instituto Caramelo alertou para efeitos da fusão sem ressalvas: 1. aumento no preço das rações em 5 por cento; 2. fechamento de lojas e petshops de bairros; 3. piora na diversidade e qualidade dos serviços.
A Petz, por exemplo, é a maior rede de petshops do Brasil. Tem 1540 lojas.

Em agosto de 2025, a Purina (unidade de negócios de rações da multinacional Nestlé) inaugurou fábrica no município de Vargeão, no Meio oeste catarinense. Investimentos: R$ 2,5 bilhões.
Em Mandirituba na região metropolitana de Curitiba, a Adimax começou a produzir 7 mil toneladas por mês. A unidade atende clientes do Sul e Sudeste.
Mais: 80 mil animais viajam em aviões, no Brasil, por ano. Só está faltando a placa: voos pet friendly.
Empresas já estão aceitando cachorros nos escritórios junto a seus “pais”, já que eles, os cachorros, são tratados como “filhos”.
Em Vitória, no Espírito Santo, o aeroporto já oferece banheiro exclusivo para cachorros e seus “pais”.
A famosa marca Doce Gabbana lançou perfume para cães a preço superior a cem dólares!
O Jornal Nacional (mais importante noticiário da TV aberta no Brasil) informou, em 30 de setembro de 2025: trabalhadores de algumas empresas já estão pedindo (exigindo?) licença paternidade, quando nascem filhotes (desculpem, “filhos” que latem.
Mas, no dia 13 de maio de 2025, ministros da quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram, por unanimidade, que as companhias aéreas têm o direito de negar o transporte de animais “de suporte emocional” na cabine da aeronave.
Você quer ter um cachorro na Alemanha?
Ótimo!
O governo local vai te cobrar cento e vinte euros por ano, por isso.
O teu “filho” terá de ser devidamente registrado, claro. Afinal, é teu “filho”.
Em um ano, os governos locais, na Alemanha, arrecadaram o equivalente a R$ 2,4 bilhões com o pagamento de impostos sobre cachorros.
A tributação começa quando o animal atinge três meses de idade, exigindo cadastro canino municipal.
Lá funciona. Se uma lei assim fosse colocada em prática aqui no Brasil, certamente os latidos iriam diminuir muito.
Au au pra todos.
Porque aqui, os pais são levados para asilos. Os filhos para creches. E os pets ficam no colo.














