Há mais de cem (100) imóveis fechados e/ou abandonados na região do Centro histórico de Joinville.
Um olhar minimamente atento perceberá que entre as ruas Blumenau/Beira Rio/do terminal de ônibus Norte até a rua Nove de Março, e em várias de suas interseções, dezenas e dezenas de comércios ruíram.
A região do Centro de Joinville é absolutamente decadente. Um fenômeno nítido iniciado há uma geração. São pelo menos 20 anos de declínio acentuado.
Dezenas de imóveis abandonados sugerem preocupação para a sociedade.
O espaço é feio. Cinzento. Hostil. E perigoso. Principalmente para quem ainda precisa utilizar o terminal de ônibus central.
Não faltam explicações para a situação no Centro de Joinville ter se deteriorado ao ponto que chegou.
Argumentos relacionados aos momentos históricos e econômicos recentes do país estão na mesa.
- A crise de 2014/2016 empobreceu a todos e gerou uma onda de falências;
- A COVID causou um desarranjo nos negócios e muitos comerciantes e prestadores de serviços tiveram de fechar as portas;
- O atual super endividamento da população, os juros estratosféricos para quem pega empréstimos, os salários baixíssimos, as compras massivas pela internet são sempre citados quando se quer apenas usar fatores externos para justificar fracassos.

O problema da ruína de dezenas e dezenas de negócios na região do Centro de Joinville também cabe ao Poder Público. Que há décadas vai “empurrando com a barriga” implantação de melhorias para tornar o ambiente e os espaços menos degradados.
As pessoas evitam circular pelo Centro. Só o fazem em horários cuidadosamente escolhidos. Receio de abordagens inadequadas e de furtos aumentam com o passar das horas.
Dirão muitos que a “crise existencial” do comércio da região central do mais populoso município de Santa Catarina não é exclusiva.
Verdade. Em outras cidades médias e em crescimento populacional acelerado pela via da migração, a situação se assemelha.
Por isso mesmo, soluções são urgentes, sob pena dessa notória precarização dos negócios e da qualidade de vida no Centro de Joinville se espalhar para outros bairros.
A prefeitura instituiu a Operação Urbana Consorciada Viva Joinville. A ambição é resgatar o Centro, com incentivos para moradia social, adensamento populacional e concedendo aos donos dos imóveis, outorga onerosa com direito de construir em benfeitorias no perímetro delimitado pela OUC.
A conferir o que vai, de fato acontecer. E quantos proprietários desses imóveis abandonados/vazios vão aderir ao que o Poder Público oferece.
Há livros e discursos sobre “cidade para as pessoas”.
Joinville, certamente, não é uma cidade para pessoas. Com as exceções de sempre, onde os ricos conseguem ter o essencial “caminhando quatro minutos”, de resto, a população vive sob tensão diária em deslocamentos crescentemente mais demorados.
Joinville é uma cidade de e para carros. Somos mais de 670 mil moradores e circulam, na cidade, mais de 498 mil veiculos.
Fica claro que Joinville não é uma cidade para o pedestre. Nem para o ciclista.
Mas essa já é outra história.
Afundando em dívidas
A taxa de juros rotativos (quando o cliente só paga parte do valor a cada mês) chegou a 439 por cento ao ano.
Isso acontece no mesmo instante em que a inadimplência, em operações de crédito, bate recorde.
Comparações
Em 2000 era possível comprar um imóvel de 135 metros quadrados por R$ 350 mil.
Em 2010, era possível comprar um imóvel de 67 metros quadrados com R$ 350 mil.
Em 2026, só é possível comprar um imóvel de 34 metros quadrados com R$ 350 mil.
Leitura
Para quem quer compreender a sociedade atual, recomendo a leitura do conto “A nova Califórnia”, de Lima Barreto.
Quer saber do que se trata?
Bom, é onde picaretas se encontram, um querendo ser mais esperto do que o outro”.
Dúvidas? Leia.
Desrespeito
E a seleção argentina de futebol fez a única coisa que não podia: deu as costas para os espanhóis no exato momento em que os europeus recebiam as medalhas e o troféu de campeões do mundo.
FRASE
“Acho difícil o Brasil conseguir reverter as tarifas”.
(Roberto Azevedo, ex-presidente da Organização Mundial do Comércio)













