Cláudio Loetz: A explosão de imóveis para aluguéis de curta duração

Recente levantamento solicitado pela prefeitura de Joinville indica haver pelo menos 1600 imóveis (apartamentos e casas) para locação de curta temporada, modelo dos aplicativos, como Airbnb e Xtay.

O número impressiona. Há várias explicações para isso ocorrer.

  1. Há aproximadamente 20 anos, não há novos hotéis grandes se instalando na cidade, salvo alguns empreendimentos menores aqui e acolá.
  2. Isso implica em alta ocupação média dos leitos disponíveis na cidade. E, em pelo menos 60 dias durante o ano, não há vagas.
  3. Outro fator decisivo para este mercado imobiliário paralelo crescer é, claro, o grande crescimento de Joinville. Com muitos negócios sendo feitos na cidade, mais gente chega para rodadas de conversas e fechamento de transações comerciais.
  4. Significa dizer, que pode estar na hora de grupos hoteleiros olharem novamente para Joinville, como oportunidade de fincar suas bandeiras por aqui.

Falta moradia

O outro fenômeno urbanístico é a falta de moradias para todos os que chegam para viver em Joinville.
O déficit habitacional, em Joinville, é de aproximadamente 11 mil imóveis.

De acordo com levantamento feito pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), na região Norte do Estado de santa Catarina, o déficit chega a 29 mil moradias. E isso eleva significativamente o custo com o aluguel.

Ainda a Facisc: a população na região Norte (Joinville na liderança) aumentou 22 por cento nos últimos dez anos. São 207 mil pessoas a mais morando nos municípios da região, desde 2014.

Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação.

O “boom” catarinense

Então, não é só em Joinville ou na região Norte do Estado que ocorre a expansão imobiliária.

Pesquisa da Braun consultoria em parceria com a Confederação Nacional da Indústria da Construção (CBIC), indica:

  1. aumento de 94 por cento nos lançamentos de imóveis no Estado.
  2. Quatro das cinco cidades com metro quadrado mais caro do país estão em Santa Catarina: Balneário Camboriú, Itapema, Itajaí e Florianópolis, diz pesquisa Fipe/ZAP.

Mais: Santa Catarina responde por 65 por cento do valor geral de vendas (VGV) de toda a região Sul do país, entre março de 2024 e março de 2025.

No primeiro trimestre deste ano, 73 por cento do total de lançamentos imobiliários feitos no Sul do país aconteceram em SC.

Migração é tema político

E não é que a migração se tornou tema político na Câmara de Vereadores de Joinville!?

O vereador Matheus Batista postou vídeo nas redes sociais desqualificando pessoas que vem da região Norte do Brasil para cá. Um absurdo!

A migração é um processo social e econômico absolutamente inevitável e que permeia todas as sociedades.
Que tal, o vereador encaminhar projetos de lei que auxiliem a prefeitura a bem acolher os migrantes, de modo a mais rapidamente se inserirem na economia local?

Logística favorável

A Coamo, cooperativa do Paraná, oficializou a intenção de construir seu Porto em Itapoá. Com investimento estimado em R$ 3 bilhões e previsão para entrar em operação em 2030, projeta movimentar 11 milhões de toneladas de mercadorias por ano.

Para comparar: o Porto de São Francisco do Sul movimenta, no pico, 17 milhões de toneladas por ano.

Sim. Será necessário melhorar e duplicar a BR-101 no trecho Norte. E, também duplicar a BR-280.
Quando?

Foto: Porto Itapoá/Divulgação.

Frase

“Santa Catarina se consolida como referência Nacional”.
Marilisa Boehm, vice-governadora, comentando o ranking de competitividade CLP dos Estados, com SC em segundo lugar

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