O resultado das urnas deste domingo exige algumas reflexões.
A mais evidente está expressa na manchete do jornal espanhol El País: “Flávio Bolsonaro vence e vislumbra retorno da ultra direita”.
A análise está correta. O PL, que é o partido da família Bolsonaro, elegeu 19 senadores ontem. Agora tem 28 no total.
Junto com outros políticos de siglas afinadas (Republicanos, Partido Progressista, entre eles), este lado do espectro político nacional vai ter maioria no Senado Federal.
Lá no Senado, a atual oposição ao governo federal vai pautar temas como o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF; a anistia a Jair Bolsonaro e demais golpistas do 8 de janeiro.
O bolsonarismo ganhou, não falando nada sobre economia. Aliás, as duas campanhas não apresentaram propostas claras.
Certo é que a direita e a extrema direita são contra políticas públicas e sociais que minimizem as desigualdades sociais.
O segundo turno é a oportunidade para aclarar as ideias de um e de outro. Porque até agora nem Lula, nem Flávio Bolsonaro disseram algo mais elaborado.
Certo é que, independente de quem vencer em 25 de outubro, haverá ajuste fiscal como forma de conter gastos e evitar explosão inflacionária.
Do lado da direita, a intenção é se espelhar no que Miley fez na Argentina: venda maciça de estatais, congelamento de salários etc, resultando em aumento de miséria.

O tamanho de Joinville
O resultado das eleições foi exatamente o retrato de como é Joinville.
Quantitativamente, Santa Catarina tem 5.725.753 eleitores. Em Joinville são 441.735. Isso significa que a cidade mais populosa do Estado representa 7,71 % do total dos eleitores catarinenses.
Então, fazendo contas: na Assembleia Legislativa há 40 cadeiras. Na proporcionalidade, 7,71 %, de 40, significam que Joinville elegeu três nomes, algo além da lógica matemática.
Para deputado federal foi a mesma conta, e aí, das 16 vagas em disputa, dois candidatos locais se elegeram, o que dá mais do que 7,71% .
Se havia gente sonhando com mais, é preciso olhar para a lógica dos números.
Vitória ampla e esperada
A grande vitória de Jorginho Mello/Adriano Silva para governador e vice era esperada. Zero surpresa nisso.
Santa Catarina é o Estado brasileiro mais bolsonarista do país. Já era e as urnas confirmaram isso com os resultados para todos os seus cargos em disputa.
Se não havia concorrente para confrontar com o favoritismo de Jorginho/Adriano, o resultado foi normal.
E a esquerda, com Merisio, fez aqueles 15 % projetados.
Triste é verificar que o eleitor catarinense também provou que quem não conhece nada do Estado pode ser eleito com facilidade, basta ter o sobrenome Bolsonaro.
Sim. O carioca Carlos Bolsonaro, sem nenhum vínculo com Santa Catarina venceu aqui.
Joinville precisa
A partir de janeiro de 2027, Joinville terá seu vice governador.
Adriano precisará ter força política dentro do governo para impor prioridades administrativas e orçamentárias do Estado para obras no município.
Entre as prioridades dele mesmo, enquanto prefeito :
1º Passar a gestão do Hospital Municipal São José para o governo do Estado;
2º Duplicação da Estrada Dona Francisca, da avenida Ottokar Doerffel, da avenida Almirante Jaceguay.
A verificar, a qualidade da tinta da caneta do futuro você governador.
Leitura obrigatória
Após o resultado das urnas, torna-se necessário ler “O pobre de direita”.










