Casos de esporotricose avançam em Joinville e debate na Câmara reforça importância da prevenção

Foto: Mauro Artur Schlieck/CVJ

Município registrou 204 gatos e 26 pessoas infectadas no primeiro semestre de 2026; castração e tratamento precoce são apontados como principais medidas de controle

O avanço dos casos de esporotricose em Joinville foi tema de uma reunião da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores nesta quarta-feira, 15. Durante o encontro, representantes da Secretaria Municipal de Saúde e do Centro de Bem-Estar Animal (CBEA) apresentaram dados sobre a doença e discutiram estratégias para conter a transmissão, que tem crescido nos últimos anos.

Segundo a diretora de Vigilâncias da Secretaria de Saúde, Maria Cristina Willemann, o município passou de 12 casos confirmados em gatos e dois em humanos, em 2022, para 204 felinos e 26 pessoas infectadas apenas no primeiro semestre de 2026.

De acordo com a Secretaria de Saúde, o tratamento varia conforme a situação do animal. Gatos que possuem tutor recebem atendimento domiciliar. Após a confirmação da doença, a equipe de Vigilância Ambiental entrega gratuitamente a medicação e orienta os responsáveis sobre o tratamento.

Já os animais em situação de rua são recolhidos pelo Centro de Bem-Estar Animal e encaminhados para clínicas veterinárias credenciadas pelo município, onde permanecem durante todo o período de tratamento.

A diferença de custos entre os dois modelos chamou atenção durante a reunião. Enquanto a compra de medicamentos para tratamento domiciliar consumiu cerca de R$ 38 mil, o atendimento de animais sem tutor em clínicas conveniadas representa um investimento de aproximadamente R$ 2,3 milhões. Segundo o CBEA, um único animal pode permanecer internado entre seis e oito meses, com custo mensal próximo de R$ 3,5 mil.

A diretora do Centro de Bem-Estar Animal, Elisabet de Sousa Mendes, destacou que a castração é uma das principais ferramentas para reduzir a disseminação da doença. Conforme explicou, as brigas entre gatos, principalmente por território e durante o período reprodutivo, são uma das principais formas de transmissão do fungo entre os animais.

Além da castração, a orientação é que os gatos permaneçam dentro de casa, reduzindo o contato com outros animais e ambientes onde o fungo pode estar presente.

Durante o debate, também foram apresentados os canais de atendimento disponíveis para a população. Casos envolvendo animais de rua devem ser comunicados à Ouvidoria 156 ou ao Centro de Bem-Estar Animal para recolhimento e encaminhamento ao tratamento. Quando o animal possui tutor, a solicitação também deve ser feita pelo 156 para que a equipe realize a avaliação e, se necessário, forneça a medicação.

A comissão também reforçou a importância da informação para evitar o avanço da doença, considerada uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida dos animais para os seres humanos.

O que é a esporotricose

A esporotricose é uma infecção causada por um fungo encontrado no solo e em matéria orgânica, como madeira em decomposição. Os gatos podem se contaminar ao entrar em contato com esses ambientes e transmitir o fungo por meio de arranhões ou mordidas durante brigas.

Nas pessoas, a doença provoca lesões na pele e exige tratamento médico. A transmissão ocorre pelo contato com animais infectados, mas não acontece de uma pessoa para outra.

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