Coluna Jura Arruda

Bobo de abril

Conta-se que no Século 16, o rei Carlos IX, transferiu o dia de início de ano, após implantação do calendário gregoriano, de 1o e abril para 1o de janeiro, o que causou algumas confusões aos desavisados ou teimosos, que continuavam comemorando o ano novo na data antiga, o que gerava piadas e convites falsos.

Às vezes, tenho a impressão que isso aconteceu no Brasil. Quanto à minha vontade de dar uma notícia falsa hoje, estou me segurando, porque me tornei um homem muito sério de uns tempos para cá. O que nem sei se é bom. Deixemos para lá o engodo, porque de fake news, estou farto.

Memória contra o esquecimento

Aconteceu no último sábado (28), o lançamento do livro “A Manchester Catarinense e o Regime de 1964”, no Instituto Juarez Machado. O livro do historiador Izaias de Souza Freire revisita o passado para lançar luz sobre as dinâmicas sociais que sustentaram o regime instaurado em 1964, uma obra recente nos convida a ir além da narrativa tradicional que costuma reduzir a ditadura a decisões tomadas nos altos escalões do poder. Mais do que isso: revela que a história também se constrói nas cidades, nos cotidianos e nas escolhas — muitas vezes silenciosas — de indivíduos e grupos.

O livro mostra as bases sociais de sustentação e legitimação do regime em nível local, mas, igualmente, dá visibilidade às resistências. Operários, jornalistas, advogados, estudantes: personagens muitas vezes ausentes das grandes sínteses históricas, mas fundamentais na construção de uma outra memória do período. Cada um, à sua maneira, enfrentou o regime e pagou o preço por isso. Ao trazê-los à cena, a narrativa rompe com a ideia de passividade social e evidencia que a ditadura também foi um campo de disputas. Num país acostumado a “virar a página”, para não olhar o que gera desconforto, Izaias propõe que viremos as páginas de seu livro, não da história. Num tempo em que disputas sobre memória e verdade ganham novos contornos, trabalhos como este reforçam uma ideia fundamental: lembrar não é um gesto de nostalgia, mas um exercício de cidadania. Afinal, só compreendendo as engrenagens do passado — inclusive aquelas que preferimos esquecer — é possível construir um futuro menos refém de suas repetições.

O livro poderá ser adquirido no Festival Literário de SC, entre os dias 21 e 31 de maio, mas já está disponível na Livraria Curitiba do Shopping Garten e na Literarium, na rua 7 de Setembro, 178, centro.

Izaias no lançamento de seu livro, no Instituto Juarez Machado Foto: Divulgação

Oficina de escrita de memórias

Estão abertas as inscrições para uma oficina que darei na Amorabi, dias 18 e 25 de abril, e 2 e 9 de maio, das 14 às 17 horas.  Serão quatro encontros com aulas expositivas e rodas de conversa para falar de narrativas, formas e memórias, com orientação sobre pesquisa, técnicas de escrita, formas narrativas e processo criativo.

A oficina é gratuita e a inscrição pode ser feita via instagram @juraarruda_escritor ou pelo whatsapp 47 98480-4040.

Raphael Montes pela terceira vez em Joinville

O público leitor de suspenses de Santa Catarina já pode comemorar: o fenômeno da literatura nacional Raphael Montes está confirmado na programação do Festival Literário de Santa Catarina, em Joinville, que ocorre entre 21 e 31 de maio.

Raphael Montes é um fenômeno da literatura nacional por uma combinação de fatores como sucesso de público, relevância cultural e presença multiplataforma. Ele iniciou sua trajetória há pouco mais de uma década, com “Dias Perfeitos”, e em seu livro de estreia tornou-se um best-seller no Brasil e ganhou tradução em outros 20 países.

Desde então, seus livros de suspense e policial já venderam centenas de milhares de exemplares, e quatro deles foram adquiridos para adaptações para o cinema ou a TV: “Bom Dia, Verônica”, “Uma Família Perfeita”, “Dias Felizes” e “Suicidas”. Além disso, sua novela “Beleza Fatal”, produzida pelo streaming HBO Max, foi um sucesso e ganhará continuação.

O escritor retorna a Joinville pela terceira vez. Em 2025, sua participação reuniu mais de mil pessoas na plateia do Palco Principal do festival, comprovando sua forte conexão com o público catarinense.

O Festival Literário de Santa Catarina é a continuidade da Feira do Livro de Joinville, que em 2026 chega à 22ª edição. Ele ocorre no complexo do Centreventos Cau Hansen, em Joinville, e contará também com a presença de Valter Hugo Mãe, Fernanda Takai, Geovane Martins, entre outros grandes nomes da literatura. A entrada no evento é totalmente gratuita.

Jura Arruda

Escritor quando dá, editor no horário comercial, dramaturgo quanto tem ideia, roteirista quando pedem. Gosta de cozinhar, mas anda com restrições alimentares; acredita no ser humano, mas às vezes não; visita as redes sociais, mas prefere livros e filmes, principalmente em noites de chuva.

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