Coluna Jura Arruda

Por mar, terra e ar

No ano 2000, escrevi o primeiro livro, que viria a ser publicado, via Lei de Incentivo fiscal em 2007. É a história de um sapo alemão que, no porto de Hamburgo (Alemanha), fica sabendo da partida de um navio para as terras do príncipe, ao sul do Brasil. Ele embarca e chega com os primeiros imigrantes germânicos ao que viria ser a cidade de Joinville.

“Fritz, um sapo nas terras do príncipe” me levou às escolas, onde sou convidado constantemente para falar sobre literatura, história e vida de escritor. Durante oito anos, ouvi perguntas como: “Você vai escrever outro livro do Fritz?”, “Ele vai ganhar uma namorada”?, acredite, o sapo que queria virar príncipe não encontrou em Joinville uma princesa para beijá-lo, e as crianças me cobraram.

Em 2015, após insistência recorrente e interminável, lanço “Fritz, olha o trem!”, quando nosso batráquio conhece, não uma princesa, mas uma rã com os olhos arregalados mais belos que ele já havia visto.

Este ano, o sapo Fritz ganha seu terceiro livro, “Fritz, um sapo nas alturas”. Se no primeiro ele veio de navio durante a imigração germânica (1851), no segundo ele conhece o amor e os passeios de trem na inauguração da estação ferroviária de Joinville (1906), e no terceiro ele pretende voar assim que avista no céu da cidade a passagem do Zeppelin (1934).

Os livros ganharam novas ilustrações com o traço de Giovana de Souza e consultoria do historiador Dilney Cunha, que me ajudou com a pesquisa histórica, evitando que eu levasse adiante qualquer desinformação a respeito da construção da cidade. Sim, Fritz é literatura infantil e é também livro de acordar, de provocar, de fazer mergulhar no passado e refletir sobre presente e futuro.

O lançamento acontecerá neste domingo, das 10 às 12 horas, durante o Convescote, no Arquivo Histórico de Joinville, que fica na Avenida Hermann August Lepper, 650 – Saguaçu, com distribuição gratuita dos livros e sessão de autógrafos.

O projeto recebeu recursos por meio de Lei de Incentivo Fiscal, o que permitiu novas edições dos dois primeiros livros e a publicação do inédito “Fritz, um sapo nas alturas”. Ah, e permitiu também que a distribuição seja gratuita, o que me leva a crer que este sapinho vai ainda mais longe do que pensávamos.

Depois de 19 anos, o sapo Fritz ganha trilogia – Foto: Cláudia Morriesen

Clássicos do teatro de bonecos na Cidadela

Dois trabalhos marcantes do teatro de animação de Joinville voltam a cartaz neste fim de semana. Com produção da Essaé Cia., “João e o Pé de Feijão”, no sábado (28), e “Alice no Brasil das Maravilhas”, no domingo (29), levam os dois clássicos da literatura para o Galpão da Ajote adaptados para o teatro de bonecos com luz negra, delicadeza e musicalidade para toda a família. Os ingressos estão disponíveis no site da Enjoyticket.

A magia começa no sábado, com “João e o Pé de Feijão”. Depois que roubaram a Harpa da Alegria, que vivia no Vale Feliz, tudo entristeceu por lá. O menino João então vende sua vaquinha para comprar comida para a sua família. Mas acaba trocando-a por três feijões mágicos, que germinam e crescem até as nuvens. O que será que João vai encontrar ao subir o pé-de-feijão?

Já “Alice no Brasil das Maravilhas” adapta a história de Lewis Carroll com humor e referências do imaginário brasileiro. Alice vive uma vida tranquila na fazenda. Certo dia, ao ler um livro à sombra de uma árvore, encontra o estranho e apressado Sapo Cururu. Ao segui-lo, acaba por cair num buraco e vai parar num mundo totalmente estranho, onde conhece bichos como o tucano, o mico-leão e o bicho-preguiça, além de um chapeleiro maluco. Para voltar para casa, Alice precisa encontrar a malvada Rainha das Copas e vencê-la em uma partida de futebol. Mas não é nada fácil ganhar da Rainha!

Agende-se Sábado (28) e domingo (29), sempre às 16 horas, no Galpão de Teatro da AJOTE. Ingressos na enjoyticket.com.br por R$ 35,00. Meia entrada: R$ 17,50.

Alice no Brasil das maravilhas, da Essaé Cia – Foto: Divulgação.

Quando dançam Di Cavalcanti e Heitor Villa-lobos

A Estímulo Mostra de Dança, iniciativa do Instituto Festival de Dança de Joinville dedicada à difusão gratuita de espetáculos de grupos locais, será palco da estreia de uma nova coreógrafa: a bailarina Luanna Gondim, de 27 anos. À frente da companhia que leva seu nome, ela apresenta o espetáculo “Eruditamente Popular”. A obra será apresentada no sábado, às 19 horas, no Teatro do Museu da Dança, com entrada gratuita.

“Eruditamente Popular” propõe uma homenagem à cultura brasileira por meio do diálogo entre dança, música e artes visuais, inspirando-se na obra do pintor Di Cavalcanti e do compositor Heitor Villa-Lobos. A montagem transita entre o balé clássico e a dança contemporânea, unindo o lirismo da técnica clássica à expressividade e liberdade da linguagem contemporânea.

“O espetáculo nasce das cores, formas e cenas do cotidiano presentes nas obras de Di Cavalcanti, e cada gesto traduz a poesia do corpo em contraponto à música de Villa-Lobos. Embora utilizassem linguagens distintas, ambos se encontram no apreço pelo popular. Di Cavalcanti retratou a boemia carioca, a miscigenação e o povo brasileiro, revelando a alma do país, enquanto Villa-Lobos expressa essa mesma essência por meio da música. A partir disso, surgiu a ideia de aproximar esses dois universos e inserir a dança como um terceiro plano artístico”, explica a coreógrafa.

O espetáculo acontece no sábado (28), às 19 horas, no Teatro do Museu da Dança (Rua Orestes Guimarães, 406 – América). A entrada é gratuita e os ingressos estão disponíveis no site sympla.com.br

Espetáculo Eruditamente popular – Foto: Divulgação.

Jura Arruda

Escritor quando dá, editor no horário comercial, dramaturgo quanto tem ideia, roteirista quando pedem. Gosta de cozinhar, mas anda com restrições alimentares; acredita no ser humano, mas às vezes não; visita as redes sociais, mas prefere livros e filmes, principalmente em noites de chuva.

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