Em entrevista para a coluna, o presidente do Joinville Esporte Clube, Darthanhan Oliveira fala da situação do clube. O objetivo é tornar o JEC uma SAF.
Na entrevista, o dirigente ainda reconhece as dificuldades enfrentadas em razão dos problemas financeiros, com efeitos no campo desportivo.
O clube completou 50 anos de fundação no dia 29 de janeiro. Sua trajetória de multi- campeão ao longo dos anos mereceu a edição de uma obra histórica: “JEC 1985 – o ano do octa catarinense e da melhor campanha no Brasileiro”, escrita pelo jornalista Anildo Jorge e lançado em novembro de 2025.
A seguir, a íntegra da entrevista com o dirigente do Joinville Esporte Clube.
O Joinville Esporte Clube completa 50 anos de história. Como o senhor enxerga esse momento do clube?
“Os 50 anos do JEC nos orgulham muito, especialmente pelo fato de ter nascido campeão, conquistando um título logo em 1976, meses depois de sua fundação. Poucos clubes têm essa honra. Um início meteórico, porém com altos e baixos em toda a história. Basta relembrar o início glorioso, depois um período de ostracismo, logo na sequência mais um período vitorioso e, de 10 anos pra cá, o clube conheceu o calvário novamente. Os primeiros 50 anos do JEC foram emblemáticos, mas o mais importante neste momento é projetar os próximos 50 anos. Estamos muito focados em definir um novo modelo de gestão para o Joinville, que definitivamente não será o associativo. Esse modelo (associativo) foi muito vitorioso, mas o clube precisa oxigenar o modelo de gestão, implementando a SAF para termos a possibilidade de novos investimentos sólidos.
O JEC está em recuperação judicial. Qual é a situação atual em relação ao cumprimento das regras acertadas neste processo?
“O plano foi homologado em 03/2023, após passar por Assembleia de Credores. De lá pra, já se passaram 32 meses de pagamentos, que totalizam mais de 1,2 milhões. Os pagamentos são feitos mensalmente, as parcelas começaram com R$ 40 mil reais e a cada ano que passa tem o aumento de 20%, hoje estamos pagando por mês R$ 57 mil reais. Esse valor é dividido com as subclasses trabalhistas, na qual temos mais de 300 credores.
A dívida total da RJ foi de R$ 22 milhões, sendo aplicado um deságio de 7 milhões. Com o início dos pagamentos. A RJ e dividida em 3 categorias : Trabalhista com R$ 11,9 milhões, Quirografários com R$ 2,2 milhões e ME/EPP com R$ 468 mil.”
O último balanço (demonstrativo financeiro) é de que ano e como estão receitas e despesas?
“O último balanço publicado e referente ao exercício de 2024, no qual o clube obteve um faturamento de R$ 7 milhões, custo de R$ 4,6 milhões em futebol, e R$ 3 milhões com despesa administrativas, obtendo um déficit de 764 mil.”
O clube tem dívidas de que valor (se possível detalhar dívidas com bancos, trabalhistas)?
“Atualmente o passivo descoberto do clube é de R$ 30 milhões”
Quais são os patrocinadores atuais e até quando vão estes contratos?
“A Krona, referência em tubos e conexões em todo o Brasil, é uma grande parceira do clube. Já são 17 anos estampando sua marca na camisa e conduzindo com muita competência o projeto do futsal. Estamos em negociação com algumas empresas para a sequência da temporada e gostaríamos muito de poder contar novamente com parceiros que já ajudaram o Joinville de alguma forma como Selbetti, Orbenk, entre outros.”
Quais são as expectativas financeiras para a sustentação econômica do JEC para os próximos três a cinco anos?
“É um cenário instável, com a alta da inflação e pelo fato de ser um ano político. A mudança no calendário no futebol brasileiro também impacta diretamente no faturamento do clube, tendo reflexos em bilheteria, sócios e patrocínios. O melhor caminho é conseguirmos a aprovação da SAF para implementarmos novas tecnologias e captar receitas.”
Os empresários da cidade praticamente deixaram de apoiar o JEC há alguns anos. Na sua análise por que o Joinville Esporte Clube está nessa situação delicada, tanto no campo esportivo como no econômico-financeiro?
“Impacta muito um cenário esportivo ruim, mas ao mesmo tempo é uma oportunidade de colaborar com o clube neste momento que vivemos. O gesto patrocinar significa acreditar, então existe um grande exercício de convencimento para que os players da cidade voltem a acreditar no JEC. Obviamente, o momento esportivo impacta muito na captação de receita. A dificuldade de fazer futebol de alto nível é extrema, o custo é muito alto e hoje, infelizmente, as receitas não acompanham as despesas.”
Quando termina o seu mandato? O senhor considera a hipótese de deixar o comando do JEC antes do fim do mandato?
“Quando entrei, há 3 anos, o clube deixaria de existir caso não houvesse uma organização financeira. Me comprometi a entregar um JEC melhor do que aquele que nos deparamos quando assumimos. O Joinville está vivo, porém fraco. Projetando o futuro, o grande objetivo é a aprovação da SAF para buscarmos investimentos. O modelo associativo, que deu muito certo, está ultrapassado e, por isso, precisamos implementar essa nova fase de gestão para recuperarmos a capacidade de investir mais no futebol e, consequentemente, entregar times competitivos ao torcedor tricolor. Meu mandato se encerra no fim de 2028 e, com a chegada da SAF, seguirei como presidente da associação tendo a missão de proteger o clube.”












