Depois de conquistar o cobiçado título mundial pela World Surf League (WSL), Yago Dora praticamente não parou para descansar. Ao contrário, mostra que não segue o scrip tradicional. Enquanto muitos campeões aproveitam o momento para relaxar ou surfar em destinos paradisíacos como Fiji, Taiti, Indonésia, Havaí e mesmo México, em busca do swell perfeito, ele surpreendeu e optou por um pico remoto, pouco provável para surfar, ainda mais por um top do Mundo: o Alasca, com águas muito geladas e cenários extremos.
Em vez de simplesmente pegar ondas perfeitas, ele quis surfar diferente. O motivo vai além da adrenalina em apenas surfar algo novo. Ele está captando imagens para seu filme, que vai contar sua trajetória. Em tempos em que o surf de elite é cada vez mais exposto nas redes sociais, o melhor do Mundo na atualidade escolheu um caminho mais autêntico. Longe das multidões e das ondas perfeitas e desejadas por todos, ele buscou o inusitado e encontrou inspiração.
“A ideia do Alasca já vinha sendo falada com meus amigos e filmakers há um tempo. Agora foi a oportunidade perfeita: eu tinha tempo, era a época boa de ondas lá… então conseguimos fazer acontecer”, relata Yago, explicando que a viagem foi planejada com precisão para encaixar no calendário competitivo e com a produção audiovisual como foco.
O resultado? Não era só aventura, era criação, era seu filme ganhando forma. “Não foi só o surf legal, foi estar num lugar tão diferente, tão inóspito, onde parecia que estávamos sozinhos no Mundo. Estávamos só os amigos num barco, indo atrás de onda em paisagens muito lindas: montanhas, árvores, águas, gelo, icebergs. Foi muito diferente, foi algo que eu nunca tinha visto antes, então foi uma das experiências mais legais da minha vida”, diz o surfista.
“Essa foi a primeira viagem para captar imagens para o filme. Já estou há algum tempo querendo fazer esse projeto e agora vai ser a hora. Já temos imagens de Fiji, na conquista do título. Registramos tudo. Então, temos de fazer mais algumas viagens para somar e lançar o filme antes do início da temporada do ano que vem”, conta Yago.





PRANCHAS – No Alasca, a equipe ficou no Golfo do Alasca, hospedada num barco, aproveitando vários picos, inclusive uma onda que se forma quando parte do iceberg se solta. “Tem muitas ondas legais por lá, é um lugar bem isolado. Não tínhamos acesso à internet, a nada. Não víamos uma pessoa, era só natureza e nós no barco”, relata.
“Usei pranchas normais do dia a dia, mas teve uma sessão na geleira que usei um softboard, uma prancha macia, usada por iniciantes, porque esperamos um pedaço da geleira para formar uma ondinha e passamos pelo meio dos icebergs e ela é mais resistente e não machuca se batermos no gelo”, revela o surfista.
Ele também lembra do frio intenso, principalmente quando entrava na água. “Estava bem-preparado. Hoje as roupas de borracha são muito boas e dá para aguentar um bom tempo, mesmo nessas condições extremas. A água era muito gelada, vento forte e, às vezes, chuva. É claro que nas primeiras sessões foi um pouco mais difícil, mas depois virou normal”, explica o campeão. “Foi bem louco essa experiência. Uma viagem para relembrar, com certeza”, conclui Yago.
Daniel Cortez, manager da carreira do campeão mundial, complementa sobre o projeto. “Estamos potencializando o tempo do Yago com essa produção. Teremos imagens inéditas, inovadoras, radicais, diversão. O público vai conhecer mais do Yago em seu cotidiano”, adianta. “O Alasca foi um momento mais do que especial e estamos só começando”, avalia.
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