O presidente do Joinville Esporte Clube (JEC), Darthanhan de Oliveira, anunciou na tarde de ontem, 23, seu afastamento temporário do cargo pelo período de 30 dias. A decisão, segundo comunicado oficial, foi tomada com base no artigo 47-F do Estatuto do clube e passa a valer a partir desta terça-feira, 24.
Com a licença, o vice-presidente Derian Campos assume interinamente a presidência e ficará responsável pela condução administrativa do clube durante o período.
O afastamento acontece em um momento delicado para o Joinville. Nos últimos dias, o Conselho Deliberativo abriu um processo disciplinar contra o presidente e o vice-presidente, procedimento que pode culminar em impeachment. A decisão foi aprovada por maioria em reunião extraordinária realizada durante o feriado de Carnaval, um dia antes de o clube ser oficialmente rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Catarinense.
Em carta encaminhada ao Conselho Deliberativo e aos torcedores, Darthanhan afirmou que o afastamento é motivado por questões pessoais e representa um período necessário de reflexão após mais de três anos à frente do clube.
O dirigente relembrou que assumiu a presidência em novembro de 2022, quando, segundo ele, o Joinville enfrentava um cenário “pré-falimentar”, em meio ao processo de recuperação judicial.
“Foram 40 meses vivendo batalhas diárias, com vitórias e derrotas dentro e fora de campo, as quais foram combatidas com muito empenho e responsabilidade. Me propus a assumir a presidência em novembro de 2022, num cenário pré-falimentar de recuperação judicial, em que ninguém se apresentou para a presidência. Na reeleição de 2024, isso se repetiu”, escreveu.
Segundo Darthanhan, o principal objetivo de sua gestão foi garantir a sobrevivência institucional do clube e prepará-lo para oportunidades futuras. “Atuei sempre com um objetivo claro: manter o JEC vivo, o preparando para oportunidades para um futuro melhor”, destacou.
Outro ponto central abordado na carta é a análise de uma proposta de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), modelo que vem sendo adotado por diversos clubes brasileiros como alternativa de reestruturação financeira e administrativa.
De acordo com o presidente, o Conselho Deliberativo deverá avaliar uma proposta já existente por meio de uma comissão específica. Posteriormente, o tema poderá ser levado à Assembleia de Sócios para deliberação.
Caso aprovada, a SAF pode representar uma mudança significativa na governança do Joinville, com possibilidade de novos investimentos e reestruturação da gestão esportiva e financeira.
Reformulação na diretoria
Durante a última reunião do Conselho Deliberativo, o clube também oficializou mudanças na composição da diretoria executiva. Foram nomeados:
- Adalto Luís Moreira – Diretor de Relações Institucionais/Comerciais
- André Balaban Florio – Diretor de Marketing/Comunicação
- Luiz Armando Gomes – Diretor Jurídico
Segundo o comunicado, novos profissionais devem ser anunciados nas próximas semanas para complementar a estrutura administrativa.
Além disso, Darthanhan solicitou a indicação de cinco conselheiros, ordinários ou extraordinários, para participarem de reuniões periódicas da diretoria executiva em caráter consultivo, conforme calendário a ser definido.
Compromisso na Copa do Brasil
Mesmo afastado temporariamente, o dirigente encerrou a carta pedindo apoio da torcida para o próximo desafio da equipe. O Joinville entra em campo nesta terça-feira, 24, às 19h, na Arena Joinville, contra o CSA, pela segunda fase da Copa do Brasil.
A competição é vista como estratégica para os cofres do clube, já que a premiação pode representar um reforço financeiro importante em meio ao momento de instabilidade.
“Como torcedor, reitero que precisamos do apoio de todos. O Joinville segue vivo. O grande empecilho do clube era não ter competições para disputar, hoje temos”, afirmou.
Enquanto a equipe busca resultados dentro de campo, os próximos dias devem ser decisivos também nos bastidores, com o avanço do processo disciplinar e a análise da proposta de SAF pelo Conselho Deliberativo.














